Adeus em formato de até logo

22:14


Eu sempre fui péssima com despedidas, nunca soube se a culpa era inteiramente do fato de nunca ter perdido alguém realmente relevante na minha vida ou do meu medo irracional de ficar sozinha no mundo. Meu método para enfrentar um adeus, ou até mesmo um até logo, fora sempre não pensar naquilo, não enfrentar, não encarar. Minhas maiores perdas foram as de namorados, amigos falsos e parentes distantes, meu método sempre funcionou com esses, derrubava algumas dez lágrimas e seguia em frente com um sorriso falso que, aos poucos, se tornaria verdadeiro. 

As coisas mudam, rápido demais, até. Em um piscar de olhos eu tive que enfrentar duas despedidas, com um espaço de um ano, mais ou menos, entre uma e outra. Com ela foi mais fácil, na minha cabeça, eu me convenci, em meus pensamentos mais confusos e perturbados, que ficaria tudo bem, ela voltaria, não seria tão ruim. Ainda choro as poucas vezes que nos vemos. As coisas não mudaram em nossa amizade, na verdade, eu acho que essa distancia fez com que ela crescesse, ficasse mais forte e amadurecesse. Tranquiliza-me pensar que essa distancia, até certo ponto, se fez necessária para nossa amizade. Rimos das mesmas piadas, contamos as mesmas histórias lembramos, com carinho, do que já foi e colocamos uma pedra no que nos fez mal. Quando ela foi embora, ela deixou um buraco que nunca será preenchido. Nem todo dia nós conversamos, mas quando o fazemos, parece que nos falamos todos os dias. Ela é a rainha dos cortes rápidos e das ações de merda que não foram pensadas. No nosso grupo éramos indivíduos que se completavam, ainda somos, mas ela faz isso de longe, olhando pra nós com alguns km no meio.

Já ele foi uma surpresa, uma coisa que esperamos até certo momento que desse certo, nos desiludimos e, num piscar de olhos, aconteceu. O tempo que nos restava com ele passou rápido demais, o momento da despedida se aproximou e, com pizza, ela chegou. A dor era inigualável, havia clima de enterro, como se ele fosse morrer por esse ano que iria passar longe. Lágrimas e soluços embalavam o almoço mais triste ao qual eu participei. Devo dizer que adiei o adeus ao máximo, ele estava de um lado da mesa e eu do lado oposto, todos conversavam e faziam juras de saudades, cartas, e-mails e mensagens. Eu fingia rir de uma piada sem graça, tentando me convencer que eu não ia chorar ou sofrer naquele dia. Lembro como se fosse ontem de olhar pra ele, tomar ar e levantar com a cara e a coragem. A primeira coisa que eu fiz foi abraça-lo, e então me entreguei as lágrimas, quando eu menos esperava, estavam descendo, errantes como só elas podiam ser. Ele falou "Chora não", e juro, suas palavras surtiram um efeito completamente oposto. Eu senti seus ombros magros e seu tronco se mexerem. Ele estava chorando também. Foi ali que eu falei tudo que eu sentia por ele, meu melhor amigo, filho e irmão. Aquela pessoa que havia sido, uma vez, menor que eu, que conseguia ser irritantemente especial a sua maneira. Falei como ele era incrível e como ele nunca deixasse ninguém lhe convencer do contrário. Ele acenou com a cabeça. Muitas lágrimas depois, ele havia ido. Meu coração, por aquele momento, estava partido pela dor, mas seu remédio era a certeza da felicidade dele. Era tudo que importava. 

Eu lido bem com a tristeza depois de um tempo. Normalmente ela simplesmente desaparecia, ia embora com o passar dos dias. Mas eu tenho um defeito, relacionado a isso, eu lembro fácil, memorizo momentos como se fossem tesouros preciosos e os guardo dentro de mim. Músicas, situações, palavras e até mesmo cheiros me fazem relembrar o que passou e a saudade bate. Eu sei que eles estão bem, vivendo, mas ainda sim os queria aqui perto. Um sentimento egoísta, até certo ponto. Ela estaria melhor aqui, disso eu tenho certeza. Mas ele está bem, feliz. Eu disse um adeus repleto de até logos para ambos. No fundo, eu sei que nossa amizade não vai acabar com essa distancia, e o aperto no peito é até bom. Por vezes eu solto minhas lágrimas de saudades como quem não quer nada, elas veem, mas não em forma de tristeza, mas sim, com o carinho guardado pelos dois. Eu nunca fui boa em despedidas, mas sempre fui boa em amar.


Postado por Tuane Peres

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1 comentários

  1. Despedir-se é como deixar um pássaro que nunca voou o fazer pela primeira vez, ele pode cair, se machucar e demorar conseguir voar, mas quando o fizer, será alto e para bem longe como se nunca mais fosse voltar. Não sei o que eu quis dizer com isso, mas...

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