Diário de viagem: Presa em Lisboa

19:58

Arcos da Augusta 

Aqui estão minhas impressões sobre Espanha e Portugal. Não esperem posts cheios de informações úteis para você, são meros relatos sentimentais sobre uma experiência marcante. Mas, por sorte, aposto que você pode encontrar uma ou outra informação útil por aqui <3

Estou aproveitando as horas arrastadas dentro do avião para escrever o que será o primeiro post de uma série sobre minha primeira viagem para o exterior. Estou sem ânimo e me falta inspiração, mas já não aguento mais me encolher nessas cadeiras desconfortáveis da classe econômica e esqueci de tomar um remédio para me forçar a dormir. O livro que trouxe (meu favorito, aliás) não está conseguindo me prender a atenção, então decidi que escrever é a melhor solução para uma mente agitada. 

Voltando ao dia 22/11, uma terça-feira, saí de Natal à noitinha, não sei mais dizer a que horas exato. Eu e minha tia embarcados juntas num avião moderno da TAP com destino a Lisboa, onde faríamos uma rápida conexão para irmos ao destino final, Bilbao, na Espanha. Eu não sabia direito o que estava sentindo. Era minha primeira viagem internacional; a primeira vez que eu passaria tanto tempo fora de casa (12 dias); e, ainda por cima, estava indo sem meus pais. Um combo de experiências que desde já garantiam que a viagem seria algo memorável. No entanto, já começamos com alguns contratempos. 

Obviamente a conexão em Lisboa programada para durar apenas 40 minutos não deu certo. A fila para verificar o passaporte estava imensa, e já saímos com certo atraso do avião. Os funcionários da TAP pouco estavam interessados em nos ajudar e, quando o fizeram, já era tarde demais. Perdemos o voo. Recebemos os voucher para almoçar e jantar no aeroporto, já que o próximo voo só sairia a noite, e chegamos pela manhã bem cedo. Era um erro da empresa, claramente, que não nos deu tempo suficiente para sair de um voo, receber o carimbo no passaporte para circular pela união européia e entrar no outro avião. 

Mas minha tia, por acaso, resolveu dar uma olhada nos nossos cartões de embarque e percebeu um detalhe. Era dia 23. Os cartões indicavam um voo previsto para a noite do dia 24! Voltamos para o guichê de atendimento da empresa, enfrentando outra fila enorme, e descobrimos que nosso voo estava certo, a funcionária é que tinha visto errado. Recebemos então o voucher para ficar num hotel cinco estrelas com tudo pago até o dia seguinte e a moça deve ter lido minha expressão de frustração, porque tentou até me consolar. Parece bom não é, ficar num hotel de graça numa cidade tão linda quanto Lisboa? Mas esse não era o plano, não queríamos ficar sozinhas num país desconhecido ao invés de estar com o resto dos nossos familiares. Dia 24/11 era aniversário do meu primo e da filha dele, e eu queria passar com eles, porque já estava planejando. Além disso, queria estar próxima da minha família o mais rápido possível. 

Esqueci de contextualizar, mas meu primo, a esposa e as duas filhas estão morando em Bilbao há alguns meses. Ele está fazendo um pós-doutorado na área de arquitetura por lá, e nós (eu, minha tia Zélia e os pais dele, tio Edi e tia Expedita) aproveitamos que teríamos hospedagem na casa dele para conhecer a Europa, já que não gostaríamos com hotel. Meus pais não puderam ir, porque seria despesa demais, mas me presentearam com essa viagem para marcar os dezoito anos (que virão em menos de dois meses). Falei duas semanas de aula, minha mãe investiu as economias guardadas e parti para uma experiência que prometia me trazer de volta, de alguma forma, diferente. E trouxe. Mas disso, falarei mais tarde. 

Arcos da Augusta

O hotel era muito bom e era fácil explorar as redondezas, mas minha tia não queria sair muito do quarto. Isso me deixou chateada, porém, mesmo contra as recomendações da minha mãe, que continuava desempenhando o seu papel de mãe-de-filha-unica lá do Brasil, resolvi tomar uma decisão por mim e sai pelas ruas de Lisboa sozinha. Caminhei até um parque próximo, que achei pelo Google Maps, e apenas curti meus momentos a sós, me iludindo com aquele gostinho de independência. Eu teria 12 dias pela frente me virando sozinha, tomando minhas próprias decisões sobre meu dinheiro e tendo que lidar com os contratempos sem ajuda de ninguém. Tinha forma mais simbólica de passar uma viagem em comemoração aos 18 anos? 

No segundo dia pela manhã, tia Zélia e eu fomos de táxi até o Rossio, no centro histórico da cidade, e apenas caminhamos pelas ruas próximas até chegar no rio Tejo, além de encontrarmos um monumento interessante o qual eu não recordo de quem era. A rua principal dessa área é a rua Augusta, que tem um arco muito bonito na entrada e, por sorte, vimos enfeitada já para o natal.  Há várias lojinhas e restaurantes nela e no entorno, então vale a pena o passeio. Também passamos por algumas feirinhas de rua e vimos o funcionamento da cidade. Foi tudo bem rápido, mas muito legal. 

Enfim os dois dias de ansiedade, estresse e frustração acabaram, mas pelo menos saboreamos a comida gostosa do hotel e pudemos ter um gostinho do que era Lisboa. Embarcamos para Bilbao na noite do dia 24, atropelando vários planos, em um avião expresso que jurávamos que não ia nem conseguir sair do chão. Ainda chegamos a tempo de comemorar 10 minutos do dia com o meu primo, mesmo que na correria, porque precisamos nos apressar para pegar o último ônibus que saia do aeroporto direto pra cidade naquele dia. 

Já na casa do meu primo, tivemos que separar nossas malas às pressas, porque tínhamos um voo marcado para Barcelona no dia seguinte logo cedo. O plano era chegar em Bilbao no dia 23 de meio-dia, curtir a tarde na cidade, ter o dia 24 livre e ir despreocupada para Barcelona no dia 25. Mas ocorreu tudo na correria. Na Europa só se permite viajar com uma mala de 20kg despachada, isso para um grupo de quatro pessoas, senão sai mais caro, portanto tudo que iriamos levar precisava ser bem organizado e reduzido. As passagens de ida e volta custaram 63 euros numa companhia norueguesa, que dá uns 250 reais. O voo de Bilbao para Barcelona dura pouco mais de uma hora, passa rapidinho, mas essa história da mala eu achei bem chatinha mesmo. 

Entre a rua Augusta e o rio Tejo

A essa altura da viagem eu não estava aproveitando quase nada, porque praticamente tinha passado aqueles primeiros dias dentro de aviões e aeroportos. A dormida na casa do meu primo foi um pouco agoniada. Eu estava sem sono, apesar do cansaço, e teria poucas horas para dormir antes de viajar novamente. Ainda estava tentando me acostumar com o frio e diferença de 4h no horário da Espanha em relação ao Brasil e sentia saudade do aconchego de casa. Eu não tinha minha mãe para resolver qualquer coisa por mim ou me fazer cafuné para dormir. Eu não estava em casa, onde podia fechar a porta do quarto e ficar vendo série na Netflix até o sono chegar. Não tinha nem o sorriso do meu namorado para me levar o mar de calmaria que somente ele é capaz de proporcionar. E ainda por cima estava frio de doer. Era um mundo completamente novo e eu estava cheia de possibilidades. O que me faltava, agora vejo, era um pouco de positividade e fé de que tudo isso valeria a pena.

E para saber o resto, só esperando eu ter tempo de postar o próximo relato :p 

  • Fomos bem atendidos pela TAP em Portugal, apesar de não terem sido muito solícitos na fila da imigração. No hotel também ocorreu tudo bem. Tivemos translado, diária e alimentação pagos pela empresa. Não fizeram mais do que a obrigação deles, mas me sinto grata mesmo assim.
  • Vejo que dei muita sorte em ficar presa em um país que, mesmo desconhecido, fala a minha língua. Eu falo e entendo inglês, mas assistir série sem legenda é bem diferente de passar perrengue em aeroporto. Eu teria ralado muito mais.
  • Apesar da mesma língua, às vezes é bem difícil entender o que os portugueses falam. O sotaque é bem diferente. Por isso, também é fácil reconhecer um brasileiro em Portugal.
  • Se sua conexão tem menos de 2h para ocorrer, saiba que é cilada. 
  • Comida de avião é muito ruim.
  • Táxi em Lisboa não é caro. Dependendo de pra onde você for, sai o preço do metrô. 
  • O Rossio é uma praça no centro histórico de Lisboa que fica na parte baixa da cidade. Há a parte baixa e a alta, e ambas valem muito a pena de se conhecer. 
  • Imagens tiradas por uma mísera câmera de Samsung J5. Caso alguma pareça editada demais (editei no VSCO) aviso logo que eu estava tentando salvar a imagem, porque a iluminação  era ruim (geralmente os dias estavam nublado) e a câmera também. 
  • Haverão muitas fotos com esse casaco. Tava muito frio em todos os lugares que fui, pelo menos pra mim, que sou acostumada com calor. 
  • Esqueci de mencionar anteriormente, mas na época que fui, estava havendo uma greve numa companhia aérea portuguesa, então as outras estavam sobrecarregadas. Por isso o próximo voo que teria vaga seria somente no dia seguinte. 

Postado por: Ana Letícia 

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