Hoje eu vou falar sobre coisa de menina

20:32


Oi meninas! Hoje o texto vai ser só #sucesso pois o tema do post será "meninices", como cabelo, moda, maquiagem, entre outras tradições que ensinamos (exclusivamente) nossas meninas desde cedo a se interessarem. "Meninices" não deveria ser uma classificação adequada para esses assuntos, já que há tantos homens envolvidos e trabalhando nessas áreas atualmente (e classificar coisas por gênero é tão dispensável), porém, de maneira geral, ainda são temas associados ao "universo feminino". Justamente por essa razão, "meninices" continuam sendo associadas a futilidade, fraqueza e alguns outros preconceitos, ignorando toda a amplitude que um debate sobre esses temas pode ter, apenas pelo fato de estarem socialmente ligados à mulher. 

Quantos homens não suportam ouvir conversas sobre roupas e maquiagem? Ou dizem não suportar, porque aprenderam ainda quando crianças que esse tipo de discussão é apenas para garotas (fúteis). Quantas mulheres não se orgulham em dizer que não ligam para esse tipo de coisa? Se for uma escolha pessoal, não tem nada demais em rejeitar. 100% de problema nenhum. Mas e quando essa decisão e carregada de preconceito, como a gente lida? E como lidamos com homens que tem verdadeiro PAVOR de serem pegos se preocupando com a aparência, porque "macho que é macho não liga pra isso"?

Sabe-se que há uma pressão doentia da sociedade sobre as mulheres para que elas "cuidem" do seu exterior. Somos influenciadas por diversos meios a nos importarmos com maquiagem, com roupas e estar com o cabelo sempre impecável, dentro outras "obrigações". Sem entrar em muitos detalhes sobre o impacto negativo que essa indústria da beleza pode causar, é fato que algo que serve supostamente para elevar nossa autoestima e nos fazer sentir mais confiantes pode causar nos sérios prejuízos físicos e psicológicos. E, mesmo que essa seja uma barreira ainda grave e persistente na luta das mulheres pela liberdade, uma maneira ideal de encarar o assunto "meninices" e aparência seria moderação ("ideal" porque não é tão simples assim, por causa das pressões contra as quais lutamos continuamente).

A preocupação excessiva com a aparência é uma característica bem típica do mundo capitalista. A imagem perfeita vale todos os riscos, dizem por aí. Acredito que é daí que nasce principalmente o carácter fútil das "meninices". Elas já surgiram para "cuidar da beleza-ideal-feminina", e são um dos principais recursos na nossa sociedade para melhorar a imagem das pessoas perante aos outros. Quem não quer estar super bonita, de acordo com os padrões? Eu respondo: aquelas pessoas que entendem essa dinâmica capitalista que constrói falsas felicidades a partir de sonhos vendidos nas vitrines e comerciais de televisão. Desprender-se dos exageros materiais é o primeiro passo para atingir a moderação. Moderar a preocupação com a aparência é um dos atos mais importantes dentro dessa luta, e que dá mais clareza para quem alcança esse feito. 

Assim, as "meninices" podem se tornar aliadas das pessoas. Não só das mulheres, devo enfatizar. As pessoas podem buscar se sentir bem ao explorar seus corpos e seus gostos com maquiagem e vestuário, desde que estejam bem consigo mesmas antes de tudo, e isso sirva como apenas um acessório para o seu bem-estar e autoestima. É necessário que isso ocorra para que essas coisas não sejam utilizadas para preencher algo dentro de si ou atender qualquer expectativa. Para que algo se torne seu aliado, você precisa ser seu aliado em primeiro lugar. 

Agora posso entrar nos outros dois temas os quais quero discutir: o quanto a "feminilidade" é subjugada e o quão profundo esse universo pode ser. Preconceito é uma droga mesmo né? Impede as pessoas de explorar novas áreas de conhecimento porque nutrem medos irracionais. E quando esse preconceito está tão enraizado na nossa sociedade como o machismo, torna-se ainda mais difícil enfrentar esses temores. 

Tem coisa mais frágil que a masculinidade? Os homens morrem de medo de serem associados a qualquer coisa que seja típico da construção social de uma mulher. Eles temem, eu acredito, sofrer a mesma violência e repressão que eles mesmo praticam contra homossexuais. Que lixo seria se eles fossem tratados da mesma forma como eles tratam um gay, não é? Não estou fazendo generalizações, é claro, os homens de quem falo são aqueles com uma mentalidade machista mais acentuada, tão comuns por aí ainda, infelizmente. "Coisas de menina" não são sinônimos de fraqueza. Saber a diferença entre um rímel e um batom não faz ninguém melhor ou pior que ninguém. Falar sobre carros não é mais "inteligente" que falar sobre vestidos. O "universo masculino" não é superior ao "feminino". E separar assuntos entre gêneros não é nada mais que limitar o ser humano. Não há problema se um cara gostar de maquiagem. Não faz mal se uma garota não se interessar pelo mesmo assunto. Parem se limitar, classificar ou julgar as pessoas por padrões de gênero, e nós teremos uma sociedade com muito mais respeito e possibilidades para aproveitar. 

Por fim, devo dizer que "meninices" não são simplesmente assuntos fúteis. Moda é algo super importante, que pode levar a discussões sociológicas, históricas e econômicas, além de outros aspectos ligados à parte técnica. Além disso, roupas (figurino) são itens que compõe de forma muito importante o contexto de uma peça teatral, de um filme, de uma dança ou de outras formas de expressão artística, porque a aparência pode dizer tanto sobre um personagem quanto seus atos, quando isso é feito intencionalmente dentro do mundo da arte (só lá dentro, nada de levar esse princípio pra vida real, beleza?). E, é claro, é totalmente aceitável conversar sobre o uso cotidiano de roupas, porque elas também fazem parte da nossa cultura, história e forma de expressão interpessoal, tanto que também são objeto de estudo quando se analisa sociedades passadas. O mesmo vale para maquiagem, e nesse caso, ainda podemos enfatizar a maquiagem artística, que transformam as pessoas em verdadeiras obras de arte. 

Portanto, pressões do machismo e do capitalismo podem fazer as "meninices" soarem como assuntos inferiores e que não merecem ser explorados, mas de fato existe uma gama de possibilidades relacionadas a eles. E agora a gente já pode parar de chamar de "meninices" né? Porque homens e mulheres têm todo o direito de terem acesso a isso, de forma igual. Não importa quem você é, seus interesses não devem ser julgados ou limitados pelo seu gênero. 

Postado por: Ana Letícia

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