Diário de viagem: O Bairro Gótico

20:27

Basílica de Santa Maria del Pi

Aqui estão minhas impressões sobre Espanha e Portugal. Não espere posts cheios de informações úteis para você, são meros relatos sentimentais sobre uma experiência marcante. Mas, por sorte, aposto que você pode encontrar uma ou outra informação útil por aqui <3

Já faz tempo que não tenho a vergonha na cara de vir aqui postar mais uma parte do meu diário de viagem, mas aqui estou eu: dois meses depois, já com a memória meio falha e cheia de empolgação. Nos outros posts, eu escrevi relatos da viagem enquanto estava no avião, retornando para o Brasil. Porém, a partir de agora, eu dependo unicamente da minha memória, então #sejaoquedeusquiser.

Nesse dia, decidimos visitar o Bairro Gótico, que é onde se situa a trilogia O Cemitério dos Livros Esquecidos, então daí já dá para saber o quão empolgada eu estava. Agora tenho uma base imaginativa melhor enquanto leio os livros, mas quer saber? Não é muito diferente do que pensei, na verdade é tão maravilhoso quanto. 

Pegamos um metrô até uma estação próxima e gastamos várias horas batendo perna por aí, várias mesmo. Quem quer turistar não pode esperar moleza, desbravar o mundo requer muita disposição, viu? Se quiser descanso, pague um daqueles ônibus de turismo caro em que você dá uma volta pela cidade sem nem sair do seu acento. Além disso, eu já estava amando completamente a experiência de andar de metrô e em outros meios de transporte público que funcionam, ao mesmo tempo em que sofria por antecipação em pensar em voltar para os ônibus lotados de Natal. 

Se me recordo bem, o primeiro prédio que paramos para olhar foi uma biblioteca (que não chegamos a conhecer) e seu jardim, onde tinha a fonte da qual tirei foto. Infelizmente eu não recordo bem o nome do lugar, mas lembro bem do cheiro de xixi que tinha na entrada. Tentei tirar várias fotos, mas com o tempo nublado e câmera meia-boca do meu celular, não foi possível. Depois, seguimos nossa caminhada pelas ruas estreitas, frias e escuras do Bairro Gótico, algumas das quais nem recebem a luz do sol direito. 

Mais tarde, no museu, eu descobriria que aquela era uma das partes mais antigas da cidade, onde é possível encontrar alguns resquícios da Era Medieval. O resto da cidade, como eu já expliquei, tem ruas largas e muito bem projetadas, mas aquele bairro era frio e sombrio. Não que isso seja um defeito, é claro. Aquela atmosfera faz parte do encanto do lugar. Bem, se não considerarmos que todos os lugares estão sempre cheios de turistas do mundo inteiro... Ainda sim, as luminárias das ruas eram legais, as fachada dos prédios eram bonitas, as igrejas eram lindas por dentro e por fora, tudo era encantador. Porém, uma coisa que notei é que há muito ostentação na maioria das igrejas que encontrei, o que reflete o contraste nobreza x mais pobres que já existia na época. 

Chegando à Catedral de Barcelona, encontramos uma feirinha natalina na frente. Foi lá que comprei o papai noel que mexe o bumbum de presente para minha mãe e encontrei uma lojinha bem curiosa chamada Caganer. Essa loja, assim como outras espalhadas por Barcelona, vendia figuras de homenzinhos ou figuras de famosos agachados fazendo exatamente o que o nome sugere: cocô. Segundo a tradição, colocar imagens de camponeses defecando no presépio significa fertilizar a terra e dá sorte. Mas hoje em dia há figuras desde presidentes até terroristas nessa típica posição, e eles compram pela zoeira, acredito eu. 

Passei pouco tempo dentro da Catedral, que tinha uma placa bem específica na entrada sobre seu código de vestimenta. As pessoas precisavam estar com o corpo muito bem coberto para entrar. Apesar de achar retrógrado, eu não tiro a razão deles, porque aquela igreja, antes de tudo, é o templo de uma religião e tal religião tem suas regras. Muitos turistas visitam o local e os religiosos devem ter se sentindo desrespeitados por eles entrarem em seu espaço quebrando as normas. Quando a gente entra no local de um povo/religião, a gente tem que respeitar a cultura deles, e não impor a nossa. Eu estava toda coberta porque estava com frio, mas lá dentro era muito cheio, por isso saí logo. 

Para almoçar, escolhemos um restaurante qualquer, porque já estávamos cansados. Mas que erro horrível! Eu e minha madrinha pedimos como primeiro prato uma espécie de sopa de carne. Quando recebemos era um caldo nada apetitivo com apenas água e muito óleo. Não tinha gosto de nada! Vieram pãezinhos do lado, que eram puro óleo também. Foi decepcionante. O segundo prato foi um frango que era até bom, e a minha sobremesa foi uma torta deliciosa. Mas nada vai superar o quão ruim era aquela "sopa". Não olhamos a avaliação do lugar no Google antes de entrar e ele estava quase vazio, mesmo sendo em uma área super turística e horário de almoço. Devíamos ter nos ligado nisso. 

Mas o jantar foi bem legal, comi no Starbucks pela segunda vez, mas ainda estava besta com isso porque, né, aqui em Natal não tem essas coisas não. Não é muito barato e eu nem gostei do que eu pedi (era cheasecake e eu esqueci o quanto odeio cheasecake), mas não me arrependo. Tinha uma brasileira na mesa ao lado, e eu estava só ouvindo a conversa. É engraçado como a gente encontra os nossos em qualquer lugar do mundo, né? 

Ainda naquele dia, visitamos o Museu da História de Barcelona e a Basílica de Santa Maria del Pí. O museu era incrível, muito bom mesmo. Tinha uma parte que era sobre os primeiros povos que habitaram a região e outra com escavações da época do Império Romano. A parte arqueológica é indescritivelmente interessante e ocupa praticamente um quarteirão inteiro. Não consegui tirar muitas fotos porque a iluminação era péssima lá embaixo, mas posso garantir que é um dos lugares que vale a pena visitar caso vá a Barcelona um dia. 
  • Lugares turísticos e metrôs estão cheios de ladrões de carteira. Na Europa não é comum haver assaltos, mas eles furtam mesmo. Não sejam bobos!
  • Isso vale para hotéis também. Não deixem seu dinheiro de bobeira, há muitos relatos de funcionários que até abrem bolsas para furtar. Eu andava com todo o meu dinheiro e documentos muito bem guardados na mochila e não largava POR NADA. É o mais indicado a fazer? Não sei, mas funcionou para mim. 
  • É sério, não deem bobeira, galera. 
quando o ser humano vai ao starbucks pela segunda vez

Museum of the History of Barcelona

parte arqueológica do museu

mocinho no museu

me sentindo nos romances do zafón 

a própria daniel sempere

apenas azulejos legais

apenas lâmpadas bonitas

ainda no bairro gótico

coqueiro 

Catedral de Barcelona 

fonte

Catedral de Barcelona 

prédio legal 


Postado por: Ana Letícia 

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