Crônica: Eu sempre soube

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Pode parecer controverso, mas eu sempre fui uma romântica desacreditada no amor. Com o passar dos anos, minha desilusão foi se tornando cada vez mais concreta, pois, por mais atraente e mágica a ideia me parecesse, eu não conseguia enxergá-la na prática. Ninguém era permanente ou interessante o bastante para me despertar tal sentimento. Uns iam embora cedo demais, sem que eu mergulhasse a fundo e descobrisse cada um de seus segredos. Outros eram simplesmente rasos. Eu apenas molhava os pés ou, no pior nos casos, me jogava sem medo e batia com a cabeça no chão. No final, eram todos iguais, e ninguém faziam em mim a diferença. 

Criei muitas teorias para explicar o porquê de somente eu sofrer o fardo de não amar. Cheguei a pensar se o problema era eu ou simplesmente os outros, mas hoje eu sei que o problema era o tempo. Não era a hora, sabe? Não me considero exatamente uma defensora do "destino"; na verdade, tenho sérios questionamentos sobre esse conceito. Porém, acredito que, às vezes, tudo que nos resta é relaxar, seguir o curso dos acontecimentos e deixar o acaso agir sozinho. Numa dessas esquinas da vida, a gente coincide de encontrar a coisa certa na hora, quando mais precisávamos ou estávamos mais maduros para receber. Evidentemente precisamos lutar pelo que queremos. Mas, se não está funcionando, paciência. E se a gente não sabe o que quer, também não precisa de desespero: cedo ou tarde, vamos acabar tendo essa certeza. 

Naquela época, eu ainda não sabia, mas o que eu queria era exatamente você. Eu não tinha um nome, uma forma, CPF ou endereço. Só sabia que a pessoa "certa" seria ao seu molde: alguém que me faz bem numa proporção tão grande, que é praticamente impossível de expressar com apenas lápis e papel (tela e teclado, no meu caso). Quando nos esbarramos nessas esquinas da vida, quanto te conheci, ainda não sabia que era você. Porém, com o tempo, fui percebendo todos os indícios. Era o jeito que você me olhava enquanto passava os dedos pelos meus cabelos, era o sorriso que você me dava quando nos encontrávamos após eras sem ver, era seu jeito particular de se expressar e mostrar preocupação comigo. Era cada detalhe. Eram todos os indícios. 

Talvez, um dia, o tempo leve de nós todo esse encantamento. Quem sabe, no futuro, não sejamos mais esse encaixe perfeito, esse "certo" um para o outro. No entanto, ainda que o "nós" se torne apenas "eu", ninguém mais nesse mundo poderá me convencer de que gostar de alguém é ilusão. Porque palavra alguma conseguirá tirar de mim a certeza que tive com você. A certeza de que posso gostar e ser gostada, e de que essa é a sensação mais preciosa que se pode ter.

Postado por: Ana Letícia 

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