Crônica: Colocando uns pingos nos i's

21:41

Imagem de alone, lonely, and unloveable

Novamente insegura com o texto, mas boralá

Aqui estou eu novamente, falando sobre o mesmo assunto. Mesmo que eu não tenha ficado tão satisfeita com o texto anterior (complexo de achar tudo que faz ~mais ou menos~), o post teve uma repercussão maior do que o que estou acostumada, portanto achei válido pontuar algumas coisas que considero importantes. 

É evidente, no texto anterior, o quanto me esforcei para agradecer às pessoas que me ajudaram/ajudam nesse processo. Com isso, meu objetivo era mostrar que precisamos estar cercados daqueles que amamos (e nos amam!) para superar situações difíceis. Porém, eu sei que, quando estamos mal, tudo mundo parece se encontrar a quilômetros de distância de nós, em algum lugar impossível de escutar nossos chamados. Dessa forma, meu texto acabou sendo um tanto irreal para alguns. Por isso, resolvi escrever diretamente para aqueles que pensam estar sozinhos, ou seja, a maioria de nós, a fim de provar que essa historinha que nossas mentes nos contam simplesmente não é verdade.

Relembrando o passado, posso dizer que o sentimento de solidão era minha maior companhia na época. Na minha cabeça, as pessoas estavam se afastando de mim e, quanto mais eu tentava, mais acabava agravando a situação. Normalmente eu sou um pouco ríspida, admito, mas nesse período, em especial, eu estava mais agressiva do que nunca. Apenas uma das consequências do que eu estava passando, no entanto, era difícil para mim e para os outros entenderem. Assim, as críticas que chegavam até mim só serviam para me destruir ainda mais. Óbvio, ninguém no mundo tinha a menor obrigação de me entender ou me aguentar, mas, caramba, eu estava muito mal. Minha chatice não nascia de um prazer sádico dentro de mim, mas do desespero. Um pouco de compreensão não custaria nada a ninguém. 

Muitas pessoas não entendem, é fato. Várias delas causam mágoas irremediáveis por não saberem como lidar. Não é dever delas, mas também não é direito de ninguém ser malvado com o outro só por não entendê-lo. Uma brincadeira, uma piadinha, algo assim, pode ser a gota d'água para destruir alguém. Aquela pessoa pode até parecer o ser humano mais forte de todos, mas ninguém é de ferro. E quando já se está quebrado por dentro, qualquer beliscão ali no seu ponto fraco pode te fazer desmoronar. Por isso, fica a fica: se não tem algo de doce para dizer, é melhor ficar calado. Nunca se sabe as consequências que uma palavra-faca pode ter. 

No entanto, nem só de línguas afiadas se compõe a nossa rede de contatos. Sempre haverão aqueles com o poder de encher nosso coração de paz. Eles não serão anjos o tempo inteiro, porque nem sempre saberão agir certo, assim como nós erramos com eles também. O que os diferencia dos outros, afinal, é o quanto eles demonstram se importar conosco. Uma preocupação genuína, sem maquiagens e desinteressada. Algo que só se identifica com muita prática, e se esforçando muito para afastar os filtros ilusórios que nossas mentes criam para nós. Dessa forma, é possível criar um filtro, separando definitivamente quem vale a pena e quem só serve para criar entulho em nossas vidas.   

Diferenciar as boas e as más companhias foi fundamental para mim. Vi que alguns "amigos" não me acrescentavam positivamente, e troquei o tempo gasto com eles por mais alguns minutinhos com quem realmente me fazia bem. Houveram decepções, sim, pois esse processo de desintoxicação nunca é fácil, apesar de ter extrema importância para nós. Geralmente, é complexo e doloroso admitir que certas pessoas são nocivas em nossas vidas, mas, com o tempo, a medida que nos afastamos, descobrimos o quão libertador é viver sem aquela tempestade por perto. 

Ainda sim, confesso que muitas vezes duvidei das minhas companhias. Eu me isolava antes que fizessem isso comigo, pois estava certa do meu abandono e indignidade de receber amor. Eu queria sumir! Queria ver se alguém notaria minha ausência. Mas não o fazia pela certeza de que, provavelmente, pensava eu, ninguém ia mesmo se dar conta. Os dias se passariam, e sequer lembrariam do meu nome. Quem sabe até minhas fotos desbotassem. Eu seria apenas um borrão no passado, esquecido desde o presente. Cada pensamento desses foi me matando. Até que eu, enfim, matei-os primeiro. 

Hoje eu reconheço o potencial criativo da minha mente para me fazer mal. É real, de algum modo a gente está mesmo sozinho nesse mundão. Mas na prática, isso não é verdade. Tem sempre um familiar, um amigo, um professor, um bichinho de estimação, que aprecia nossa presença e nos quer por perto. Há sempre quem cuide de nós, ainda que não percebamos. Ainda que nossas mentes engenhosas tentem nos provar o contrário. Ainda que alguém, por maldade, tente nos convencer do inverso. 

Então, lembre-se, caro leitor, você não está sozinho. Essa solidão que assola a sua alma é mais uma truque da sua cabecinha para te enganar de que você é uma pessoa maravilhosa. Vire para ela e diga: ei, eu sou incrível, eu mereço ser amado e minha presença é admirável! Pois essa é a verdade. E ela sabe disso, apenas se esqueceu. O seu trabalho é simplesmente lembrá-la dessa verdade inquestionável. 

Deixe para lá as justificativas para ficar sozinho. Eu costumava argumentar que minha aparência física e personalidade (ambos odiados por mim, na época) eram as razões pelas quais ninguém me queria por perto. "Se eu fosse de tal ou tal jeito, com certeza teria mais amigos". E quer saber? Esse pensamento era roubada. Os amigos que eu tinha, que valiam a pena, estavam comigo por gostar de quem eu era sem pôr nem retirar. No fundo, eu estava buscando a admiração vazia das pessoas, através de uma identidade que não tinha nada a ver comigo. Eu nunca seria "tão legal" ou "tão bonita" quanto gostaria, pois essa busca é viciosa, é um ciclo de ilusão e sofrimento que nunca acaba. Não existe linha de chegada. Ganha quem consegue escapar desse redemoinho. 

A saída consistiu, em primeiro lugar, em acreditar em mim. Construir minha autoestima foi a base para todas as minhas outras fortalezas. Em segundo lugar, a desintoxicação da qual falei lá atrás. Em terceiro, e não menos importante, a esperança. Porque, por mais que eu me deixasse levar pela correnteza outra vez, eu sabia que, ao invés de me afogar, eu poderia simplesmente continuar lutando. Portanto, eu repito: jamais perca a sua fé. Em seja lá o que você acreditar e, principalmente, em si mesmo. 

Deixo claro que esse e qualquer outro argumento que sua mente crie para estar sozinho são apenas ilusões. Sei o quanto é difícil aprender a separar realidade e pensamentos-destrutivos, pois depende de uma longa jornada rumo ao autoconhecimento, porém, é necessário. Eu, assim como tantos outros, ainda estou passando por esse aprendizado. É árduo e tem falhas. Por vezes, ainda acredito estar sozinha. Mas agora é diferente. Não me deixo enganar tão facilmente. Sei muito bem quem está comigo, e quem está por mim também.

Eu não estou sozinha!

Você não está sozinho, querido leitor! Agarre-se às suas crenças, às pessoas que você ama, aos livros que você gosta e, até, as suas leituras esporádicas aqui no blog (se você for um dos lindos humaninhos que nos acompanham <3). Todas as portas podem parecer estar fechadas agora, mas você há de encontrar a chave. Não acredite quando sua mente lhe diz que você merece estar sozinho. Você merece todo amor do mundo.

E se você acha que seus amigos estão distantes, converse com eles. Eu costumava achar que eles não estavam ligando muito, mas era só uma impressão equivocada minha. Dialogo é tudo!!! Externe como você está se sentindo para que as pessoas entendam melhor. Mas não se cobre tanto, deixe acontecer naturalmente. Respeite seu tempo e continue tentando <3

Postado por: Ana Letícia 

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2 comentários

  1. Como você conseguiu relatar o meu passado com o seu passado e o seu presente com o seu presente? Se eu disser que precisava desse texto, estarei mentindo, mas foi de suma importância para alguém que ainda pensa estar sozinho (quase sempre) e que ainda é iniciante no auto conhecimento

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    1. obrigada joão!! eu realmente me esforcei, do meu modo, em mostrar pra essas pessoas que elas não estão só. a gente que tem experiência nessa arte do ser sozinho sabe bem como é difícil, mas fico feliz que você também esteja conseguindo superar! (realmente, te vejo muito mais comunicativo atualmente)

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