Primeira tatuagem

21:43

Sim, pessoal, dói.                        

Desde que fiz minha primeira tatuagem, semana passada, várias pessoas têm me feito perguntas sobre o processo, então resolvi reunir todas as dúvidas e responder com meu relato completo por aqui. Uma das perguntas mais frequentes, como eu respondi anteriormente, é sobre o medo de sentir dor. Galera, é uma agulha entrando na sua pele, carícia é que não faz haha mas se você tem o sonho, não desista dele só por causa de uma dorzinha (respeitando seus limites, óbvio).
                    
Há muitos anos venho nutrindo esse desejo. Eu sabia que queria algo relacionado a galáxias (sim, por causa do blog), mas não tinha uma ideia fixa. Com o tempo, buscando referências (principalmente no Pinterest) fui literalmente montando o desenho que eu queria. Criar uma pasta com inspirações ajuda muito. Minha tatuagem é uma junção de quatro desenhos, minhas impressões e o toque final do tatuador. Tudo bem pensado e planejado, na medida do possível. É complicado ter certezas quando se tem 18 anos, especialmente se essa certeza vai te acompanhar pelo resto da vida. Mas eu pus meu coração nisso, e creio que não vou me arrepender. 

A tatuagem me lembra quem eu sou, meus sonhos e tudo que eu vivi, porque faz referência direta ao blog. Uma cabeça explodindo em galáxias é uma mente se expandindo em possibilidades, exatamente como a minha. Ela me diz "ei, Ana, não se esqueça de quem você é!". Pode parecer difícil para alguns entender, por isso tenho tanta preguiça de explicar, pois é algo que não se verbaliza, só se sabe. Quem me conhece bem, percebe que tem tudo a ver comigo. E quanto a mim? Ah, eu apenas sinto.

Definido o desenho, eu precisava decidir o tatuador. Alguns amigos me indicaram Roberto Nascimento. Achei uma boa. Meu namorado fez tatuagem com ele. Meu primo também. Minha psicóloga me recomendou esse cara! Daí eu pensei: é ele. E foi, felizmente. Se você tem MUITA pressa, pode ser uma péssima escolha, porque é complicado conseguir vaga. Parece estranho esperar tanto por uma tatuagem, mas vale a pena. Ele trabalha muitíssimo bem e cobra um preço ótimo.

Foi assim: dia 18 de dezembro de 2016 abriu uma fila no estúdio dele (lá no CCAB Sul, em Capim Macio, perto do Shopping Cidade Jardim) para pegar uma senha para marcação. Mais de mil pessoas procuraram sua chance. Fui a número 327. No primeiro fim de semana de março (creio eu, não lembro) foi a vez das senhas em torno de 300 irem lá marcar, finalmente, o dia. Pedi que fosse o mais rápido possível, pois eu já tinha juntando o dinheiro durante anos e estava mais que decidida. Ficou para o dia 31 daquele mês.

Expliquei, nesse dia, que era minha primeira tatuagem e por isso eu não tinha certeza sobre cores, estilos, nem nada. No dia oficial, Roberto me fez uma série de perguntas para conhecer melhor os motivos pelos quais eu estava me tatuando, pegou como referência os desenhos que mandei e me perguntou as cores que eu queria. Só disse que achava que roxo combinava. O resto foi ideia dele. E acho que funcionou bastante com meu tom de pele, algo que eu tinha medo de dar errado. Ser branco é muito fácil né? Mas ter a pele escura (que eu amo) às vezes é um dificultador, na minha opinião, já que certas cores não ficam tão vivas. No meu caso, a coloração é discreta, algo que acho que combinou bastante, tem sombreamento e tem espécies de faíscas, como se fosse uma explosão, pintadas em roxo. Obs: os pontos brancos são espinhas que estouraram e ainda vão cicatrizar. Além disso, há algumas alterações em relação ao desenho original. A menina tem cabelos cheios de ondas e lábios pintados de vermelho, assim como eu, um detalhe que eu achei todo especial. 
          
Várias pessoas me perguntaram como minha mãe lidou com tudo isso. Eu sempre disse que ia me tatuar, mas ela não me dava muito crédito. Ano passado, poucos meses antes dos meus 18, anunciei que estava falando sério. Eu tinha o dinheiro e a vontade, faltava só minha autonomia. Juntou isso + meu primeiro namoro, e essas mudanças todas geraram alguns estresses em casa. Mas passou. Ela ficava preocupada só com minhas alergias, porque sou MUITO alérgica. Fui à alergologista e fiz os testes de reação à corante. Deu positivo, como sempre. Mas a médica liberou. Pesquisei sobre a tinta que o tatuador usa, Electric Ink, e descobri que ela é uma das poucas legalizados no Brasil, portanto raramente tem relatos de problemas. Podia dar merda, claro, mas eu me arrisquei. Tem que ser né? O ruim dessa história é que a médica me passou antibiótico para outros problemas alérgicos que eu tenho, então não pude ir doar sangue antes de fazer a tatuagem. Agora, só daqui um ano.
              
Voltando ao assunto "pais", eis o que aconteceu: meu pai ficou meio "é...achei que seria menor", mas ele é calminho, aceitou sem estresses. Minha mãe que é o perigo, ela poderia ficar chateada. Porém, no fim, ela só estava preocupada com a cicatrização e disse que achou bonita. Saiu mostrando para os parentes, me parou pra ver os detalhes e tudo. Acho que ela não concorda, mas me apoiou, e isso bastou para minha felicidade. O fato de ela ter vários sobrinhos tatuados, um irmão e uma cunhada que se riscaram aos 50 anos e ter visto já tatuagens como a de Bárbara e de Xia devem ter ajudado bastante. Mas o principal foi o coração mole dela. Ela não conseguiria ficar com raiva de mim. 
                       
Chegou o grande dia. Xia (meu namorado) foi comigo até o estúdio me dar apoio, algo fundamental para que eu pudesse passar por aquilo mais tranquila. Todo o nervosismo que não tive nos dias anteriores (foi só ansiedade normal), resolveu aparecer naquela manhã. Eu estava muito nervosa, e nem sabia ao certo o porquê. Chegando no estúdio, tive uma crise de ansiedade. Quase chorei na frente daquelas pessoas praticamente desconhecidas. Mas foi só eu me deitar na maca e segurar a mão de Xia, que eu consegui me acalmar. Roberto (que foi o tempo todo muito muito muito legal) começou a riscar meu braço. Há uns processos de higiene e preparação antes, mas não demora muito. O psicológico faz isso ser mais massante do que na realidade é. 

Sim, galera, DÓI. O meu foi no braço, uma área bem tranquila, mas quando chegava perto do cotovelo ou axila, doía mais. Na maior parte do tempo fiquei conversando com Xia para me distrair, mas às vezes a dor se acentuava e eu me perdia no meio das frases. Era inevitável, vez ou outra, soltar um suspiro ou um palavão qualquer. Quarenta ou cinquenta minutos depois, estava pronta. Nem acreditei na rapidez do processo. Olhei no espelho e nem parecia meu braço. Eu só conseguia pensar "nossa, que pessoa incrível essa que estou vendo". E olha só: essa pessoa era exatamente eu!

Quanto ao uso de plástico filme ou pomadas, não vou entrar em detalhes, pois depende das recomendações de cada tatuador. Mas posso dizer que não é bom levar sol por um tempo, que só pode usar protetor após um mês e não se deve fazer muito esforço enquanto cicatriza. Afinal, é literalmente um machucado na sua pele. Nos primeiros dias, pode manchar os lençóis, porque a tinta solta um pouco, então eu só usava o plastico filme para dormir mesmo. Senti que ficou bem melhor quando parei de usar à noite. Dizem também que pode dar dor de cabeça e outros efeitos no começo, mas comigo foi tranquilo. Senti dor na tatuagem por alguns dias, o braço dolorido e um pouco de coceira. Fica que nem aqueles machucadinhos que se sobressaem na pele, tipo em auto-relevo, sabe? Mas nada grandioso, não precisa se preocupar. 
              
Quando começa a cicatrizar, a pele descama que nem quando se leva sol. Às vezes fica bem enrugadinho. Passar a pomada era bastante doloroso pra mim, especialmente porque tem de ser uma camada fina, então eu precisava espalhar cuidadosamente. Mas se só o toque já causa dor, imagina o resto? Por isso eu quase batia em qualquer um que tocasse na tatuagem, e infelizmente não foram poucos os atrevidos. Sério, quando virem alguém tatuado, especialmente se for recente, mantenha sua mãozinha engordurada longe. Além de doer, pode causar problemas. 

Porém, a melhor parte, com certeza, foi todo mundo achar que era piada de primeiro de abril. Eu fiz dia 31/03 e, no outro dia, quando eu contava, ninguém acreditava. A cara dos meus colegas de sala foi impagável. Achar que eu não teria coragem de fazer uma tatuagem real é claramente sinal de que não me conhece. Creio que parte da dúvida surgiu porque ela é relativamente grande e, geralmente, as pessoas começam pelas pequenas. Mas, sinceramente, não me atraio muito por elas em mim.   

Por fim, queria dizer que não concordo com a sua mania tosca de achar que toda tatuagem precisa de um significado. Cala a boca, po. O dinheiro e a pele são minhas. Eu já expliquei qual o significado que essa tatuagem tem para mim, mas ela poderia ser só estética mesmo. E aí? E se for? O que você tem a ver com isso? Se eu me arrepender, o problema é todo meu.       
                
(desculpa o fechamento grosseiro, é que isso retamente me irrita)                        

Argh!

É isso, pessoal, quaisquer dúvidas podem deixar nos comentários. Espero ter esclarecido muita coisa para vocês. Sempre procurem tatuadores regularizados, respeitem suas limitações e tomem cuidado com a cicatrização. É seu corpo, não descuide dele. E se joguem! Rabiscar a pele pode parecer aprisionante, já que é algo "eterno", porém, para ser sincera, eu nunca me senti mais liberta <3

Obs: as fotos estão meio ruins porque todas são muito recentes e também porque a resolução está baixa.

momento depois de fazer a tatuagem, ainda bem inchado 

algumas horas depois 

uma visão de frontal do desenho 

minha foto favorita entre as quatro 

Postado por: Ana Letícia 

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