#30DAYSBLOG Classificados Poéticos

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Imagem de art, space, and moon

Qual era seu livro favorito quando criança? 


Inclui esse tópico na lista pretensiosamente para falar sobre esse livro, assumo. 

Quando eu estava no ensino fundamental, as professoras me elogiavam por eu gostar de ler e escrever. Nunca entendi muito bem aquilo, mas hoje sinto a importância. É engraçado, quando a gente é criança, essas coisas são admiráveis, mas a gente cresce e vira só o "esperado". Ser um leitor assíduo não é mais que uma característica comum, afinal. Porém, olhando por uma ótima menos egoísta, seria incrível que esse hábito fosse realmente muito difundido entre todas as pessoas. 

Na época, ganhei até um livro de presente de uma das minhas professoras, pois ela achava que eu iria gostar. De fato, era ótimo. Se chamava Minha Bolsa Mágica, de uma escritora infantil da minha cidade. Ela tinha mais ou menos a minha idade na época e me inspirou bastante. Mas não é sobre ele que falarei. Por gostar de ler, eu sempre me interessei pelos livros paradidáticos que nós estudávamos na escola, mas um em particular me chamou atenção. Este é o nosso foco agora. 

Classificados Poéticos, de Roseana Murray, é um livro curto, simples e belíssimo. Reúne poesias que remetem a anúncios de jornais, transmitindo uma visão sensível de mundo de um modo acessível para uma criança como eu que, naquele tempo, não tinha mais que nove anos. A leitura me encantou profundamente. Nunca fui muito próxima da poesia, mas aquelas em especial despertam em mim um misto de prazer, nostalgia e conforto. Seus versos têm a brisa da infância, fazendo-me remeter aos tempos em que meu mundo era tão grande que cabia um universo inteiro no interior da minha mentezinha criativa. 

"Procura-se um equilibrista
que saiba caminhar na linha
que divide a noite do dia
que saiba carregar nas mãos
um fino pote cheio de fantasia
que saiba escalar nuvens arredias
que saiba construir ilhas de poesia
na vida simples de todo o dia. "

Essa é a primeira página. Assim que li, meus olhos se encheram de possibilidades. A ilustração também coloria meus pensamentos. Quem seria a tal equilibrista? Que tipo de linha dividiria a noite do dia? Eu não duvidava que fosse possível existir potes de fantasia nem ilhas de poesia. Para uma criança, poesias são muito mais reais. Não se trata de metáforas e mensagens escondidas. É a pura e simples realidade da imaginação. 

Infelizmente, não o tenho mais. Perdi em algum lugar pela casa. Ou, sei lá, agora esteja encantando os olhos de outro alguém. O importante, para mim, foi o sentimento que o livro me deixou. Esse sentimento indescritível de satisfação. Esse gostinho indiscutivelmente agradável de infância. 

Sei que para um adulto, esses versos não parecem tão ricos e atrativos quanto para uma criança. Entendo que agora, para muitos, escritores mais clássicos sejam mais interessantes que um livro infantil. No entanto, para aqueles que têm a alma pura como de criança, eu mais do que recomendo. Eu exijo a leitura! Porém, só para os de alma límpida. Aos intoxicados, resta outras formas menos adocicadas de entretenimento. 


Postado por: Ana Letícia 

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