Crônica: Mas nossa história ainda vive, Romeu!

17:49

Nota pré-texto: durante uma longa hora de enrolação nos estudos (biossegurança tem se mostrado um desafio quando se trata de manter o foco), futucando coisas de maneira aleatória no meu computador, encontrei esse texto de junho de 2014. Há pouco menos de 4 anos eu me aventurava com as palavras mais do que hoje - acredito que sonhava um tantinho mais também - e tinha toda essa facilidade de botar as coisas pra fora usando o artifício da escrita. Hoje é bem mais difícil, o que explica um pouquinho das minhas ausências no CDG. Considerei apenas fechar o documento e criar vergonha na cara e vir estudar, mas a garota de 15 anos que ainda mora em algum lugar dentro de mim me fez parar um momento e apreciar as mudanças que essa janela de tempo me proporcionaram. Agradeço por esse espaço e tudo que ele representa pra mim, então deixo aqui no CDG esse vestígio das minhas reações e pensamentos quanto ao meu primeiro contato com algo parecido com uma desilusão amorosa e com o seguir em frente ao me permitir embarcar numa história nova. Sigo grata por toda essa primeira aventura e talvez ainda mais pela segunda. Vamos em frente! 

Postado por: Bárbara Andrade 



Faltavam cinco para meia-noite quando eu voltei atrás e desliguei o telefone. Ora, ora, outra recaída de você. Não vou dizer que não sei o que houve, porque seria uma completa mentira. Eu estava vendo um desses romances americanos, baseados em best-sellers, um dos famosos até (não vou dizer qual, porque é absolutamente irrelevante), e ao fim, decidi que não devia ter assistido, assim como decidi não terminar o livro. É o tipo de história que mexe com aquelas pessoas que, ao menos uma vez, verdadeiramente amaram e foram amadas. 

Falando nisso, eu estou apaixonada, sabia? Quantas vezes nós não imaginamos juntos se uma vez mais seríamos capazes de amar outras pessoas outra vez (um pensamento bem tolo para a pouca idade que tínhamos e a ainda pouca que temos hoje, mas absurdamente puro e sincero), além de nós mesmos. Pois é, cá estou. Eu estou bem feliz, sabe? Não é como se estivesse vivendo um conto de fadas, mas sim uma dessas histórias bonitas sobre amor que as avós contam para as netas quando essas fazem a tradicional pergunta: “como você conheceu o vovô?”. É, bem, está dando bem certo. 

Mas, voltando ao filme, eu gostaria de te dizer que pensei mais nele do que em você enquanto assistia, porém seria uma completa mentira. Algo nada legal de se dizer, entretanto bem sincero. E também não se encaixaria muito na situação com ele, se quer saber. Era algo sobre primeiros amores, primeiras dores, sobre a primeira (talvez única) e duradoura história de amor da vida. Sobre amores que, não importando o quão profundos sejam, não duraram pra sempre. Na verdade, não é bem assim. 

E foi ao perceber isso que eu digitei teu número, eternamente decorado, e sem pensar mais de uma vez, liguei. Um, dois, três, quatro toques e notei a loucura que eu estava fazendo. Desliguei, claro, como todas as outras vezes. Afinal, o que eu diria? Que estava vendo um filme e tive a impressão de que o amor não acaba realmente? Que você ainda está aqui, mesmo que eu não faça ideia se ao menos meu nome você lembra? Que sim, você estava certo, nós somos os novos Romeu e Julieta, mas que talvez você tenha se esquecido que eles não ficaram juntos no final? Mas que tudo bem, porque ainda assim é uma das mais belas e mais contadas histórias de amor! Não, obrigada. Passo a vez. Isso de re-relatar nossa história pode ficar pra outra hora. Pra outra vida, pode ser. 

Mas não vou mentir e te dizer que me esquecerei dela ou de você. Não tenho a capacidade de apagar nós dois. E, acredite em mim, eu me odeio por isso. Mas ao mesmo tempo... agradeço por não conseguir esquecer esse seu amor, que tão feliz me fez. E, se quer saber, no cantinho ou exposto na minha frente, essa é uma daquelas histórias sobre um amor que não vai morrer.

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