Por que não gostei de Barraca do Beijo (com spoilers)

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Eu me considero uma grande fã e propagadora das comédias românticas, especialmente aqueles típicos filmes adolescentes. Talvez seja porque, de alguma forma, ainda não deixei essa fase, tanto de modo prático (afinal, não é como se eu tivesse virado adulta só porque tenho idade suficiente para dirigir) quanto de modo emocional. Assistir a esses romances aquece meu coraçãozinho e me faz sentir como se esse mundo caótico pudesse ser apenas um grande teenage dream. No entanto, talvez eu tenha me tornando um pouco crítica sobre tais filmes (ou talvez a chatice da vida adulta esteja finalmente atingindo esta alma romântica aqui), pois o último que vi me decepcionou bastante. 

Postado por: Ana Letícia


Barraca do Beijo é mais uma criação da senhora Netflix. A maioria das pessoas já devem ter visto, mas eu não tenho culpa se fiquei de férias só agora, ok? Bom, a narrativa trata da amizade entre um garoto e uma garota cujas mães eram melhores amigas e eles, por coincidência, nasceram no mesmo dia. Ao contrário de muitos filmes românticos, este não explora o amor que nasce da amizade, tampouco o relacionamento da protagonista é exatamente o centro da história, mas a essência da amizade é o motor dos acontecimentos. E essa inovação é um ponto positivo para Barraca do Beijo, mas minha impressão geral não foi tão boa. 

O filme, lançado em 2018, tenta incluir algum discurso feminista no roteiro ao introduzir um diálogo sobre a saia curta de Elle (a principal), mas acaba caindo num clichê irritante dos filmes adolescentes: todas as garotas parecem ser ridiculamente vazias e apaixonadas pelo cara fortão (Noah). Exceto a protagonista. Ah, e a namorada de Lee (o melhor amigo), que tem somente duas ou três falas durante as quase duas horas de filme, mas aparenta ser legal.

Agora, o principal motivo pelo qual Barraca do Beijo não me agradou foi: a história do casal não me convenceu. O cara fortão que se apaixona pela garotinha pela simples razão de ela ser a única a não se derreter por ele é um roteiro bastante batido e eu não sei se ainda funciona. Obs: depois eles ficam juntos e está confirmado, o garoto realmente consegue tudo o que quer. Ele justifica o controle sobre a vida dela como uma tentativa de protegê-la dos outros homens (então por que privá-la ao invés de convencer os homens a não serem uns babacas?) e o MAIOR DRAMA que esse rapaz vive é sua vontade incontrolável de bater nos outros - que ele obviamente supera com a força do amor. 

Faltou química, física, matemática, sei-la-como-chamam-isso? Eu não sei. Mas, para mim, a história de Elle e Noah não precisava nem ter acontecido. 

Outro ponto positivo, para não dizerem que estou sendo rígida demais: ninguém sabe se o casal fica junto ou não no final. A amizade entre Elle e Lee sobrevive e os dois chegam a conclusão de que os acordos feitos por eles há tantos anos não se encaixam mais em suas vidas. Afinal, aquela relação estava ficando abusiva, para ser sincera. E fica a lição: não controle a vida dos outros, nem do seu melhor amigo, nem da mina que você gosta.

Bom, voltando ao meu parágrafo inicial, Barraca do Beijo me deixou um pouco nostálgica sobre quando a minha maior preocupação era perder o famigerado "bv". Especialmente na hora do baile, quando eles relembram vários momentos do ensino médio, pensei sobre como a juventude passa rápido e as coisas boas vão apenas virando memórias para nós. Terminei meu ensino médio ano passado e não posso negar que sinto saudade de alguns aspectos, apesar de estar adorando a universidade... Aos poucos a vida vai perdendo essa energia meio inocente e até um pouco mágica da adolescência e vai se tornando, sei lá, um daqueles documentários monótonos que gente cult gosta de assistir. 

Eu realmente adoro esse gênero de filmes e fiquei decepcionada com Barraca do Beijo. Mas ainda dou uma nota razoável para ele porque, como eu disse, a história inova bastante ao tratar do amor fraterno de uma forma mais especial que o próprio amor romântico. Apesar de tudo, acredito que precisamos mesmo dessa ressignificação das narrativas de amor, para que não vivamos presos aos mesmos ideais que os contos de fadas nos passaram tantos anos atrás.

Update: uma amiga destacou um fato que eu julguei muito interessante sobre esse filme, que é a maneira natural com a qual ele lida com a sexualidade. Elle se relaciona com seu corpo de uma maneira muito mais tranquila do que costuma ser mostrado nas telas, não ocorre uma super dramatização em torno de sua vida sexual e até existe uma cena na qual ela vai a uma farmácia comprar camisinha (proteção é tudo, crianças). Portanto, ponto positivo para Barraca do Beijo. Mas ele ainda é ruim, desculpa auhsuauahs

Aqui está o trailer (porque eu não vou te impedir de ver, ué)

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