Solo

17:05


Joga essa felicidade pelo ralo, deixa ela escorrer pelo esgoto. As águas da saudade correrão para bem longe, e a sensatez não permitirá o meu mergulho. Guardei nossas risadas no armário, mas sua escova de dentes eu realmente joguei fora. Os meus sorrisos nascerão de outras formas, porém os seus eu já não exerço controle algum. Encaixotei os bons momentos que tivemos, e as paredes estão terrivelmente vazias agora. Pois por aqui eu já guardei tudo o que tinha, embora a angústia continue ocupando todas as prateleiras.

Muda o meu contato na sua agenda, já não usamos o mesmo vocativo. Os seus planos não precisam mudar, porque sei bem que eu já não estava em seu destino. Não mais estou inclusa nos seus sonhos, se é que já estive algum dia. Vou reescrever a minha história, porém, como única protagonista. Você não é coadjuvante, figurante, nem antagonista. Não há sequer menção nas notas de rodapé ou naquelas páginas finais. Por mim, seu nome estaria até na orelha do livro, mas você fez questão de se apagar completamente.

Agora as madrugadas são vazias. As tardes, as manhãs, as noites, as horas perdidas. Minha cama tem espaço até demais, não há necessidade de brigar pelo travesseiro. Eu apenas me enrolo nos lençóis nas noites frias e deixo a nostalgia me contar algumas boas histórias. A esperança me aquece afinal. Tudo nessa vida é volátil, como fomos nós. E assim será a minha dor. Assim serão as nossas lembranças.

Publicado por Ana Letícia Dantas

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