Queria uma tarde de sábado

02:13


São 01:47 da madrugada de uma sexta-feira e eu estou escrevendo abobrinhas porque de manhã eu não preciso acordar cedo. Parece bobagem, mas é um alívio. E uma bobagem também. Eu definitivamente não sou uma pessoa matutina - meu corpo não processa acordar antes das 10h de boa vontade. Isso é péssimo. Cheguei atrasada em 95% das reuniões que marquei no último mês e não consigo deixar de me sentir extremamente culpada por cada um dos vacilos. 

Janeiro não foi um mês fácil. Fevereiro não tem sido também. A rotina de estágio e obrigações na empresa júnior consumiram muito do meu tempo, quase não tive momentos para mim. Eu me sinto exausta de uma maneira que nem consigo descrever. Meus sentimentos controversos dos últimos tempos tem consumido boa parte da minha energia também. Pergunto-me a todo tempo se tenho o direito de me sentir assim, porque muita gente aguenta barras muito mais pesadas. Sinto-me fraca, sabe? Preciso lembrar a mim mesma a todo instante de que minhas dores importam e cada um tem seus limites. Preciso respeitar os meus. Eu costumo esticá-los ao máximo e não é por acaso que, aos 20 anos, já apresento meus primeiros cabelos brancos.

Sou uma pessoa de duas décadas agora. É estranho escrever a minha idade sem colocar o numero 1 na frente. Quando se é mais novo, cria-se uma expectativa horrível sobre os 20 anos. Pensava que eu seria madura e bem-resolvida. A verdade é que vivo brincando com a minha mãe sobre voltar para o útero dela. Ela ri e diz que eu não caibo mais. Porém, sinto-me por vezes tão pequena que pereço caber em qualquer lugar - mas sem me encaixar realmente em nenhum. 

Estou longe de ser bem resolvida. Discuto muito comigo mesma. Sou cruel demais. Ainda não aprendi a ouvir críticas, portanto, julgo-me das maneiras mais cruéis antes que os demais tenham a oportunidade de fazer o mesmo. Temo demasiadamente decepcionar os outros, enquanto decepciono a mim mesma com frequência por nutrir expetativas altas demais sobre o inalcançável. 

Parece que nunca somos a pessoa que esperamos ser. 

Este não promete ser um ano fácil. Não adianta me dizer para ser forte. Às vezes eu nem quero ser. O que eu desejo, de fato, é uma tarde de sábado livre para assistir àquela série da Netflix que está todo mundo falando. Comendo um monte de doces sem me sentir culpada por conta da maldita pressão estética que atua tão forte sobre mim. Sem me preocupar tanto com a lista de obrigações que escrevi na minha agenda. Só existir, sem pesos. 

Já são 02:03 da manhã e eu estou cansada. Escrevo meu primeiro grande desabafo no ano além dos meus compilados de tweets melancólicos. Chamo de abobrinhas por ser cruel demais comigo mesma. Ainda não sou a pessoa que espero ser. Ainda não enxergo a pessoa que sou. Ainda sinto que não sou nada.

Publicado por Ana Letícia Dantas

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