Diário de viagem: Bairro da Liberdade e Farol Santander

22:15


Na contramão dos foliões de todo o país, meu carnaval deste ano será um tour por museus e parques de São Paulo. Não que eu não aprecie a festa - eu adoro. Mas eu e meus pais desejávamos vir para uma programação mais cultural, sendo este o único feriado possível para os três. Nada que nos impeça de curtir uns bloquinhos de rua, quem sabe. Porém, por hora, nosso roteiro não engloba festividades. 

Desembarcamos em Guarulhos de manhã cedinho e viemos para o hotel deixar as malas. Estou entre a Av. Paulista e a Rua Augusta, uma região bem central. Minha mãe e sua irmã foram para as compras na 25 de Março, Brás e Mercadão. Eu e meu pai nos encaminhamos para a Liberdade. Por descuido, coloquei o endereço errado no Uber, mas o motorista super simpático nos levou corretamente para a Praça da Liberdade, super atencioso. Aliás, todos os paulistas com quem tenho tido contato são super amistosos (ou apenas sabem atender muito bem, talvez).  

Ao chegar na praça, visitamos a Capela Santa Cruz das Almas Enforcadas, um prédio cinzento por fora e bastante luminoso em seu interior. A história da capela, assim como do nome da praça, é a história de Francisco José das Chagas, soldado negro enforcado no local por reivindicar salários atrasados e igualdade. A corda falhou em matá-lo duas vezes e os católicos associaram o caso a sua inocência e milagre de Deus. Além disso, é importante ressaltar que, apesar de hoje ser um bairro tipicamente oriental, a Liberdade tem valor histórico importante para a memória negra da cidade. Naquela praça, ocorreram muitas punições a escravos, e uma igrejinha escondida em um beco não distante dali, a Capela dos Aflitos, claramente negligenciada, já foi o cemitério dessas almas feridas. 

Voltando para o meu passeio (durante o qual não pude esquecer o passado macabro do bairro), passeamos pela feirinha da praça e eu fiz minha primeira aquisição: um belo brinco de origami que me custou apenas 8 reais. As barracas são todas padronizadas e vendem desde comida até bugigangas peculiares. Depois, fomos à Loja Maruso para escolher um pacote de doces entre os inúmeros produtos tipicamente japoneses nessa loja de baganas. Queria algo que eu não soubesse o que fosse a fim de me surpreender, porém, acabei descobrindo que há descrição em português do produto adesivada em todas as embalagens! De todo modo, escolhi balinhas de leite para experimentar com meus amigos quando eu voltar para casa. O ruim de fazer compras é apenas que vai pesando na bolsa... Além dos doces e dos itens de papelaria que citarei a seguir, acabei levando também uma pochete holográfica que pretendo usar ainda nesta viagem.  

Eu e meu pai, então, descemos pela rua Galvão Bueno para ver o pórtico na ponte e visitar algumas papelarias. A Haikai fica dentro de um centrinho comercial e é, na minha opinião, a melhor opção! Comprei alguns itens que não acharia facilmente em Natal, como um incrível caderno de desenho de muuuitas páginas. Os preços, porém, não achei diferente. A Kalunga vende alguns itens mais barato. 

Almoçamos em um self-service só de comidas orientais. Eu e papai não temos hábito algum de consumir esse tipo de culinária, portanto, essa grande novidade também foi desafiadora. Minha escolha de alimentos no prato foi puramente intuitiva, pois a maioria era inédita para mim. Comer em São Paulo é muuuuito caro, mas almoçar no quilo ajuda a ter um pouco de controle sobre os gastos. Comemos na Cia Oriental e sinceramente foi muito bom. Misturei sushi, frango xadrez, yakissoba e vegetais. Paguei 12 reais apenas. 

Seguimos até a Vila Portuguesa, na Rua Fagundes, mas não achei muito interessante. Nem me animei para ir a outras atrações que pensei na região. Cansados da Liberdade, chamamos um Uber e fomos ao Theatro Municipal na esperança de realizar uma visitação. Infelizmente, estava fechado para a passagem de bloquinhos :( entretanto, o rapaz que nos levou até lá informou que o Farol Santander, também conhecido como Bonespão, localizava-se nas proximidades, então somente apreciamos o Theatro por fora e caminhamos até o Farol através de uma praça agradável. Foi super tranquilo, há bastante policiamento na rua; algo inédito para mim já que encontrar uma viatura patrulhando as ruas de Natal é evento raríssimo rs. Subimos uma ladeira enooooorme (eu não sabia que São Paulo tinha um terreno tão irregular) até finalmente chegarmos ao Farol Santander, o antigo Edifício Banespa. 

O saguão de entrada já é estonteante, com um lustre enorme de cristais e um grande telão informativo. O prédio inteiro mistura elementos antigos com a tecnologia atual, criando uma experiência única de visita ao passado. A entrada custa 20 reais inteira e 10 meia, há acessos a cada 15 minutos (eles são muito organizados) e as filas andam bem rápido. O passeio se inicia pelo segundo andar, onde um vídeo acerca da história do prédio, inaugurado em meados do século XX, é exibido dentro de uma sala de vidro. Inspirado no Empire State Building, não poderia deixar de empregar um estilo Art Déco e já foi o mais alto da cidade, perdendo para o Edifício Itália anos depois. A princípio, era a sede do Banco do Estado de São Paulo, que na época trata especialmente com os grandes fazendeiros da região. O terceiro andar mostra justamente como era a mobília desse período e informa um pouco sobre a rotina bancária. No quarto andar, há uma vista panorâmica da cidade - porém, em forma de quadros compostos por materiais reciclados. No quinto andar, é possível visitar salas que simulam os ambientes de reunião dos bancários, assim como as salas dos cargos importantes. Neste pavimento, as paredes são de madeira escura e elegante, e até as maçanetas das portas merecem uma atenção especial. 

Do quinto andar, salta-se para o 26°, onde fica o mirante. É possível enxergar boa parte da cidade, porém, as varandas são apertadas, a visibilidade é prejudicada e a proteção de vidro atrapalha as fotos. Esse é o grande forte do edifício, no entanto, deixa a desejar. Entre uma varanda e outra, há um café aconchegante (e caro!) no qual eu e papai lanchamos. Ele tomou café e eu suco de laranja, ambos comeram um delicioso brownie de Nutella. 

Descemos para os andares inferiores: um deles apresentava uma experiência luminosa de noite e dia, outro era uma sala de espelhos extremamente intrigante e envolvente. Eu tardei a deixar esse pavimento porque estava encantada com o labirinto de ilusões de ótica proporcionadas por aquele jogo de espelhos. Os dois andares abaixo eram inteiramente dedicados a uma exposição sobre Hebe Camargo. Conhecemos a sua história, seu guarda-roupa luxuoso, seu trabalho e havia até uma cabine para tirar fotos beijando essa diva. Essa última parte foi bem engraçada; recebi a imagem por e-mail, mas é muito tosca para compartilhar. 

Infelizmente, papai não sabe tirar fotos muito bem, minha câmera frontal quebrou e eu tive que dar um jeito para aplicar um pouco de egocentrismo. Mas, claro, o resultado não foi bem o que eu esperava... Até porque a câmera do meu celular peca muito no quesito estabilidade. 

Após finalizar esse passeio, fomos para a rua pedir um Uber de volta para o hotel. Mas a avenida estava fechada e vinha um bloquinho em nossa direção! Descemos por uma ladeira qualquer e demos de cara com a famigerada (e também temida) Rua 25 de Março. Estava lotada de ambulantes tentando vender produtos carnavalescos. Desviamos todos eles até chegar a uma praça onde carros estavam trafegando normalmente. 

O resto do dia ficamos no hotel mesmo, porque quase não dormimos na noite anterior. Quando chegamos já eram quase 17h. A verdade é que somos todos uns velhos - inclusive eu - sem pique para vida noturna. Mas, de fato, precisamos nos recuperar para aguentar o novo dia... afinal ainda há muita São Paulo para explorar e amanhã é dia de Ibirapuera! Espero que tenham gostado do post (e aguardem, porque domingo à noite tem muito mais).  

Bônus: choveu muito esta noite, espero que o tempo fique firme amanhã :( 

Flores à Hebe 

Revista onde Hebe foi capa

Simulação dia x noite

Ilusão de ótica 






Café no mirante







Sala de reuniões

Acessos

Vista panorâmica em sucata





Saguão do Farol Santander

Arte de rua





Fachada frontal do Theatro Municipal

Fachada lateral


Theatro Municipal

Almoço

Rua Galvão Bueno


Praça da Liberdade

Capela das Almas


Compras na Haikai: duas fitas, uma brush pen, uma caneta, duas borrachas e um caderno para desenho

Interior do caderno

Pochete holográfica linda perfeita

A foto dos doces ficou de cabeça para baixo mesmo 

Publicado por Ana Letícia Dantas

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