A lente da câmera não é um monstro

20:46


Às vésperas de completar 15 anos, na época em que eu ainda usava aparelho e minha única preocupação era manter as leituras de Fanfics atualizadas, fiz algumas fotos com um fotógrafo para compôr a decoração do meu aniversário. Foi divertido e as imagens extraíram muito bem a minha essência no período, apesar de todo o desconforto causado pela insegurança e a timidez. Há tempos desejava renovar o ensaio, viver a experiência que tive com a cabeça de agora e dar uma alavancada na autoestima. O orçamento limitado me impediu por algum tempo, mas o principal obstáculo sempre foi a descrença em mim. Afinal, em cinco anos evoluí muito em relação a auto-aceitação, autoestima e segurança, porém, o monstrinho da autossabotagem insiste em ser um inquilino bem difícil de lidar.

Quando Carol Macedo tweetou sobre os miniensaios, eu tinha uma reserva financeira na poupança de quando pedi demissão do estágio, então a desculpa do dinheiro não rolava mais. Os valores estavam >super< acessíveis e esse era um desejo antigo meu - afinal, acompanho seu trabalho há anos e sempre fui encantada. Topei, num ímpeto de coragem, e marquei meu horário com ela. Anotei na agenda. Decidi a roupa. Deixei o medo entrar.

Três dias antes da data marcada, apareci na terapia com o monstrinho da autossabotagem sussurrando no meu ouvido para cancelar o ensaio. Confessei ter medo de detestar o resultado, não por culpa da fotógrafa, mas por receio de a minha própria imagem não ser "boa o bastante" para as minhas expectativas - sempre altíssimas. A terapeuta me perguntou, então, "e se realmente não ficar bom, o que acontece?" respondi "nada" e ela "exatamente". Reuni coragem depois disso, escolhi meu vestido predileto e apareci no dia do ensaio. 

Eram trinta minutos de fotos pelos arredores da UFRN, mais especificamente ali pelo campo, DECOM e Setor I. Eu estava completamente travada e não sabia como me colocar naquela situação, mas me esforcei em sorrir para câmera e obedeci Carol quando ela me disse para simplesmente fechar os olhos e respirar. No final, eu já estava rodando o vestido por aí - um pouco menos travada - e me sentindo até bonita. As reclamações da Autossabotagem, a essa altura, eram apenas grunhidos distantes.

Voltei a escutá-la quando recebi o link das fotos no Drive e precisei escolher com quais eu ficaria. Eram todas maravilhosas, mas eu insistia em encontrar defeitos que ninguém mais era capaz de enxergar. Felizmente, com ajuda de amigos e uma bela bronca de Tuane, acabei definindo as minhas setes preferidas e forçando meu cérebro a observar apenas o melhor em cada uma delas. Às vezes até olho e penso "hmm, não gosto disso", mas a voz de Tuane vem a minha mente e sou repreendida no mesmo instante, forçando-me a me olhar com mais carinho. 

No fim, as novas fotos foram como as antigas: extraíram exatamente quem sou agora. Tímida e insegura, porém vencedora de inúmeras batalhas interiores e no caminho para fazer as pazes consigo. Eu gostei muito da experiência de poder e vulnerabilidade que a gente sente diante de uma câmera., além do exercício de deixar a Autossabotagem sem palavras. Agradeço muito a Carol por isso, e me sinto muito orgulhosa de mim por ter enfrentado a situação <3




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