Eletricidade

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linked neon lights under white painted basement
Photo by Marius Masalar on Unsplash

Trata-se de um paradoxo. Enquanto um cansaço infindável me abala, a eletricidade pulsa dentro de mim em corrente pelas minhas veias. Sinto uma usina instalada em meu peito, disputando espaço no tórax e trabalhando para inundar o cérebro de pensamentos – densos e turvos. São pegajosos, impregnam. Tudo ocorre rápido demais dentro da mente. 

A energia escoa pelos meus pés, que balançam nervosos quando me acomodo na cadeira. Escoa pelos meus dentes que mastigam comida, unhas, tecidos nervosamente sem que eu sequer perceba. Transborda pelo tórax, comprimindo-o, e transforma meu estomago em um grão. Contamina o ar que respiro, asfixia. Encarcera as reações. 

A energia é intangível. Eu não a consumo, ela me consome. Por vezes, posso senti-la correndo e corroendo toda a extensão do meu corpo. É desesperador e doloroso. Sinto-a pulsar mas não a controlo. Não mais pertence a mim o meu corpo. Deixo-o sucumbir à agitação com angústia. 

Sua produção é custosa. Horas de sono não são o bastante para manter a mente e o corpo despertos. O cérebro não pode se concentrar em nenhuma atividade em meio a esse redemoinho. Está sempre em alerta sobre perigoso que não existem. O terror é o combustível da usina.

Publicado por Ana Letícia Dantas

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