A música suave que fala sobre raiva

21:50


Hoje a Hayley Williams divulgou o clipe do seu primeiro single solo. Há seis ou sete anos, eu estaria em êxtase e saberia todas as informações a respeito disso. Hoje, me sinto sem fôlego para ser fã de qualquer artista, então só vi a notícia no Twitter e fiquei feliz por ela. De toda forma, o Paramore marcou minha adolescência e segue sendo uma das minhas bandas prediletas. Eu tenho todos os álbuns, menos Riot (estou aceitando de presente), e me relaciono de uma maneira especial com cada um deles - menos All We Know is Falling, que eu honestamente não gosto muito, me perdoem. Nas circunstâncias atuais, não me surpreendi com a Hayley lançando um trabalho solo. Creio que a sua ligação com a banda ainda está bem explícita nas escolhas dela, afinal, ela ainda usa “hayley from paramore” no Twitter, mas acho que ainda há muitos frutos (bons) dessa carreira solo por virem.

Apesar de ter tagarelado acerca disso o primeiro parágrafo inteiro, não é sobre a banda que se trata esse post. Há muito tempo não trago impressões de músicas, filmes ou livros, que eu costumava resenhar por aqui porque era o conteúdo que eu via nos blogs que eu acompanhava. Com sete anos de CDG, já parei de escrever por outro motivo que não seja: estou afim de falar sobre. E eu estou bastante afim de falar sobre Simmer.

Certa vez, ouvi num podcast que entrevistou o Emicida sobre Amarelo que ele explicava o que se passava em sua mente na hora da composição, mas ele também gostaria que as pessoas se sentissem livres para interpretar a letra do jeito que preferirem. O poema significa o que você sente, ponto. Claro que busquei entender os possíveis significados de Simmer para Hayley e encontrei boas teorias nos comentários do Youtube, mas eu consegui me enxergar muito naquelas palavras também. Apesar de não se transformar em algo excessivamente agressivo em nenhum momento, a voz transmite algum tipo de ameaça e agonia que dá para sentir na pele. Escutei várias vezes e senti raiva, mesmo sem saber o motivo. Bem mais raiva que senti em outras canções mais agitadas.

Falando dos comentários, o primeiro que li dizia que Simmer fala sobre com ela aprendeu a lidar com a raiva e vulnerabilidade. Um segundo interpreta o clipe associando-o a outras produções da carreira da Hayley e diz que ela termina matando a sua versão triste, deprimida, solitária e assustada quando se cobre com a armadura de argila. Muitos outros buscam traçar paralelos entre os versos e sua vida pessoal, como o término do seu casamento. A maioria parece concordar que é sobre evitar se rconsumido pelos próprios sentimentos.

Em entrevista, Hayley explicou ter tido um sonho onde flores cresciam por todo o seu corpo de uma maneira grotesca, e assim ela percebeu que havia muita coisa precisando sair de dentro dela - de um modo doloroso. Também acrescenta a sua crença de que a melhor maneira de sobreviver a esse mundo maluco é abraçar a vulnerabilidade e a suavidade. Por isso a armadura de pétalas da qual se fala na música, talvez metaforizada no clipe pela argila. Há também o fato de ela estar sem roupas no clipe, do jeito mais vulnerável possível.

Simmer me remeteu muito a situações em que meu coração foi realmente quebrado, que alguém me machucou de verdade. Sinto que a raiva e a tristeza são amigas próximas, porque uma assume o papel da outra quando precisa tirar uma folga. Como traçar um limite entre a ira e a misericórdia? Como caminhar entre o perdão/o entendimento e o respeito por si mesma? O refrão é claro: é preciso ferver até acalmar. Não dá para fugir das próprias emoções, somos muito vulneráveis a elas. O único jeito de passar por qualquer sentimento é enfrentando. Como no sonho da Hayley, tudo que há por dentro, de uma maneira ou outra, vai crescer na superfície.

Hayley Williams lança seu primeiro single solo - Reprodução/Instagram

Postado por Ana Letícia Dantas

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