Diário de viagem: João Pessoa e Recife

17:17


nas ruas do recife antigo

Em 2019 eu realmente coloquei o pé na estrada. Além das viagens com a família, também me meti em duas aventuras pouco planejadas com um amigo e que acabaram dando muito certo. A primeira delas foi visitar João Pessoa em um final de semana (porém o planejamento começou na noite da quarta-feira anterior). A segunda foi Recife (fui na quinta-feira, mas comecei a me organizar no domingo). Ambas foram baratas, mas poderiam ser mais caso houvesse uma preparação melhor. Ao todo, gastei em torno de 170 reais na primeira viagem e 300 na segunda, porque fiquei três dias na capital pernambucana e é o dobro da distancia saindo de Natal.

Fomos para João Pessoa de Blablacar. Nunca tinha usado o aplicativo, mas foi muito tranquilo. A moça que nos deu carona era uma enfermeira que vinha trabalhar em Natal algumas vezes por mês e me telefonou antes para combinar. Saímos de cedo e chegamos na metade da manhã. O Airbnb que reservamos não ficava muito bem localizado, era bem simples, mas foi bem barato e os anfitriões nos trataram super bem. Se fosse no centro, teríamos economizado bastante no deslocamento, mas reservamos em cima da hora. Tentamos pegar ônibus, mas lá não apareciam as linhas no Google Maps, então não fizemos uso do transporte público em nenhum momento, infelizmente. 

Fomos para o centro da cidade para almoçar e encontramos outros amigos, meio que por coincidência. Um deles era local, então ganhamos um guia. Vou citar os lugares legais que visitamos e onde almoçamos super barato. Nos encontramos na Lagoa Solon de Lucena e subimos pela Av. Padre Meira até a Praça Vidal de Negreiros, a qual estava com uma estrutura montada para a mostra de cinema que estava ocorrendo à noite no lugar. Seguimos até a Praça Barão de Rio Branco, antigamente conhecida como Largo do Erário, muito importante na época da Colonia e do Império. Passamos pela Igreja de Nossa Senhora do Carmo, o Mosteiro de São Bento e pelo Centro Cultural São Francisco. Vale salientar que todo mundo do grupo era arquiteto ou estudante de arquitetura, então, sim, gostamos de ver igrejas hehe Também fomos até a Casa da Pólvora, onde ocorrem eventos ocasionalmente, e de onde se tem uma vista fenomenal do pôr do sol. A partir daí, minha memória falha um pouco, mas lembro de termos ido à Praça Venâncio Neiva e que lá visitamos o Brechó Fábio Rodrigues, onde tirei as fotos a seguir. Todo o percurso valeu super a pena de conhecer. 

Almoçamos num self-service sem balança, o qual não lembro o nome, na Rua Duque de Caxias, perto da praça, uma casa amarela ao lado do Restaurante Extremo Oriente. Também fomos à Cachaçaria Philipheia, que vende vários tipos de cachaça, caldo e frutinhas por um valor muito bom. O cara até tirou onda comigo, porque eu estava em dúvida se iria beber e ele me solta um "você não é feminista?". No fim, provei a de maracujá e me acabei nas frutinhas, porque o sabor era bem forte e eu sou fraquinha.

O último local que visitamos foi o Hotel Globo, onde estava havendo uma conversa sobre cinema, por acaso. De lá, fomos para a orla curtir o entardecer sentados numa cadeira na praia sentindo a textura da areia nos pés. Comemos por ali mesmo, em uma pizzaria vegana muito gostosa na Praia de Manaíra, a Casa de Nara. Finalizamos a noite bebendo na praça Antenor Navarro, também lá no centro, local repleto de barraquinhas vendendo bebida e também de bares com música no interior. 

O dia seguinte foi bastante confuso, porque era domingo e não estávamos com o nativo para nos orientar. Fomos ao Farol do Cabo Branco, que é longe e sinceramente não é uma programação imprescindível, e tentamos ir à Estação Cabo Branco e à Estação das Artes, mas ambos estavam fechados. Andei num sol fortíssimo completamente em vão. Voltamos ao centro, mas estava um deserto, afinal, domingo não é dia de comércio. Após a série de frustrações, caminhamos para o Parque Zoobotânico Arruda Câmara, que eu já conhecia, mas segue sendo um passeio que vale a pena. Além das diversas espécies que podem ser vistas, há outro lago bonito lá dentro.

em uma praia em joão pessoa

no centro de joão pessoa

em um brechó em joão pessoa

em um brechó em joão pessoa

em um brechó em joão pessoa

em um brechó em joão pessoa

A viagem à Recife só teve uns dois ou três dias a mais de planejamento. Ficamos no bairro de Santo Amaro, numa vizinhança mais humilde, num Airbnb simples, mas que serviu perfeitamente para a função de simplesmente dormir e deixar nossas bagagens. Os vizinhos sempre estavam na rua, portanto era tranquilo chegar tarde da noite e abrir o portão. Também foi bem fácil pegar ônibus em Recife e, mesmo que precisássemos usar aplicativo, eram valores baixos devido à boa localização. 

Dessa vez, fui sozinha no Blablacar - com bastante medo, mas deu tudo certo. Peguei carona com alguém bem avaliado, que usava o aplicativo para trabalhar e viajava regularmente. Outra pessoa que ia na viagem comigo me deu várias dicas sobre Recife, como o funcionamento dos ônibus e locais para visitar. Cheguei na praça do Derby que, pelo que entendi, é um ponto central de encontro. De lá, fomos andando para o Recife Antigo, passando antes em um shopping só para usar o banheiro.

Conhecemos o comércio local e uma infinidade de igrejas: Nossa Senhora da Conceição, Santo Antonio, Nossa Senhora do Carmo, Nossa Senhora do Livramento e Nossa Senhora do Rosário. Nosso roteiro estava sendo decidido ali mesmo. Paramos em outro shopping, o Paço Alfandega, apenas para ver como eles tinham realizado as intervenções naquele edifício histórico, mas acabamos almoçando por lá mesmo (péssima decisão). Fomos até o Marco Zero, mas, pelo horário, não pudemos demorar. A programação noturna também foi no Recife Antigo, mais especificamente na Rua Mamede Simões, uma indicação no nosso anfitrião. É uma via que reúne vários bares e as pessoas bebem tranquilas nas calçadas. Fomos cedo, mas me pareceu, no geral, um ambiente bem calmo.

Na sexta-feira, começamos pelo Museu Militar do Forte do Brum, que tem uma taxa pequena para entrar e conta com visitação guiada. Ah, também é possível encher a garrafa de água hehe Entramos também no Cais do Sertão, um museu SUPER legal sobre a cultura nordestina. É bastante moderno, colorido, é multissetorial e há a exibição de um curta-metragem no início da visita para contextualizar a exposição. Tem uma parte fechada, que gostaríamos muito de ter entrado, mas nem com a cartada "é que eu sou estudante de arquitetura..." liberaram. Tudo bem. Por trás, subimos na doida para olhar a vista de um restaurante chique e fomos permitidos de entrar. Não estava aberto, mas acredito que não teríamos dinheiro nem para pagar uma entradinha. 

Em seguida, pagamos cinco reais para atravessar as águas e ver de perto a escultura de Franscico Brennand, que inclusive havia morrido há poucos dias. Ali debaixo fede muito. Sinceramente, eu estava mais com medo de estar ali do que aproveitando, e a parte mais empolgante foi, de fato, o passeio de 1 minuto e meio no barco.

De volta ao Marco Zero, caminhamos pelas ruas (o que já é encantador) até o Paço do Frevo, onde estava acontecendo uma apresentação musical na calçada. Aproveitamos o astral animado para almoçar no Teatro Mamulengo, local em que fomos bem atendidos, comemos felizes e pagamos um preço justo. A sobremesa ficou por conta de um açaí lá na Av. Rio Branco. Bem perto, há a Caixa Cultural, nossa última parada, onde estava ocorrendo uma exposição gratuita sobre o relacionamento de Jorge Amado e Zélia Gattai. Indo até o último pavimento, era possível enxergá-la lá embaixo pelo chão de vidro.

Pegamos um ônibus e gastamos quase uma hora para chegar na Praia de Boa Viagem, que estava com a maré cheia. Confesso não ter achado muito interessante, especialmente porque já vivo em uma cidade praiana. Apenas conhecemos o Parque Dona Lindu e uma feirinha de turismo. Foram mais quarenta minutos para voltar para casa depois. À noite, conhecemos um bar geek chamado Amigos do Pop. Haviam divas na parede, tocava pop o tempo inteiro, estava rolando karaokê nos fundos e o sanduíche era muito bom. Se existisse aqui em Natal, seria um lugar que eu certamente frequentaria, eu adorei. 

No nosso último dia, decidimos ir para Olinda. Eu já conhecia, mas meu amigo não, então servi de guia para ele. Já falei sobre o centro histórico em outro post, fizemos basicamente o mesmo roteiro. De novo, parei no açaí da Praça do Carmo (meu almoço rs) e revisitei todos os lugares da última vez, porém, pensando dessa vez em quando eu estiver subindo aquelas ladeiras no carnaval. Apesar de já conhecer, Olinda foi novamente uma experiencia encantadora. Seria ainda melhor se fossemos inteligentes o bastante para não ter andado por lá no auge do meio dia. No final, retornamos para a casa e pegamos nosso Blablacar de volta para Natal.

Trabalhei boa parte de 2019 para juntar dinheiro e fico feliz em ter investido em duas viagens  tão maravilhosas. Aos interessados, minhas principais dicas para viajar com baixo orçamento são: pesquisar bastante; procurar hospedagens baratas, perto de transporte público e dos locais onde se pretende ir; procurar atrações com entrada gratuita ou bem barata; utilizar serviços de aplicativo, sempre buscando pessoas confiáveis, é claro; prezar pela segurança. E, por fim, não se planejar demais, porque, apesar de ser importante a pesquisa, muita coisa sai diferente do pensando e também há descobertas pelo caminho, então deixar algumas lacunas na programação evita muita frustração e guarda espaço para o inesperado.

Obs: tenho certeza que os valores que dei no início ainda poderiam ser menores.
Obs2: minimalismo, viu? economize espaço na sua mochila
Obs3: não esquece a garrafinha de água

BÔNUS: dicas de como viajar com segurança no Blablacar
Uma amiga me perguntou, então vou explicar. Da primeira vez eu estava bem insegura, então procurei uma mulher. Ela me ligou antes e a gente conversou, então me senti mais tranquila, além disso, eu estava acompanhada. Quando viajei sozinha, procurei uma mulher também, porém acabei indo com um homem porque era a melhor opção no momento. Nesse caso, ele tinha mais de trezentas avaliações, conversamos antes também e me parece uma pessoa confiável. O carro só tinha homem, mas o motorista, pensando em me deixar confortável, reservou o banco da frente para mim. Em todas as quatro vezes que utilizei o aplicativo, mandei mensagem com antecedência pro condutor e li as avaliações. Não recomendo mulheres viajarem sozinhas, apesar de ter feito, porque nessa sociedade patriarcal somos sempre um alvo fácil. Mas, caso queiram ou precisem, com cuidado certamente vai dar tudo certo. Creio que também se aplica ao Airbnb.

no cais do sertão em recife

na caixa cultural em recife

no recife antigo

em olinda

Publicado por Ana Letícia Dantas

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