Mesquinharia de Domingo

22:08

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Texto enviado por Ana Karoline Martins,
escrito após a leitura de "Açúcar ou Adoçante?". 

As melodiosas canções guiadas pelo aleatório de um mix qualquer no Youtube tem guiado minha correnteza de pensamentos dramáticos e vitimistas. O ser humano é bicho engraçado: se coloca em último lugar e quando não se aguenta mais vê que é hora de se priorizar. Mas e as minhas metas? Preciso terminar esse curso, ir ao banco na segunda-feira, economizar nas saídas, ler aquele livro e desatolar aquela pilha que está no meu criado-mudo esperando ser lida a contragosto do meu cansaço nas noites frias e quentes de Curitiba que têm embalado minhas semanas sem um segundo de descanso. 

Ah, onde deixei toda aquela energia que pulsava, aquela paixão cega que me fazia enxergar a vida como um rio caudaloso e incessante que gritava por descobrimento? Sempre fui tão agitada. E todo o agito da minha vida agora tem sido atravessar a rua no sinal de vermelho olhando três vezes pra cada lado pois fui pega pela pressa naquela manhã cinza. 

Parei de pegar o caminho mais longo contornando a marquise todos os dias pra poder dormir mais vinte minutinhos e dar só dez passos antes de entrar - atrasada - naquela aula impossível de se concentrar e encontrar um foco válido. O professor não veio? E eu aqui? Por quê, Universo, por quê?! E lá vem, mais uma vez: uma explosão de emoções feias e sentimentos ruins. 

Faço listas, organizo a semana, divido as tarefas e me desdobro em muitas pra suprir os tantos papéis que tenho que cumprir. E mesmo assim, mesmo tão controlada e resignada aos pensamentos que devem ser pensados dia após dia, mesmo limitando minhas reflexões ao estritamente necessário àquele dia, tudo parece tão fora de controle. 

Já são nove horas e eu ainda não revisei aquele relato de pesquisa que preciso finalizar. A realidade é tão palpável e o futuro tão distante. Meus dias estão tão insistentes em me cansar. Sei que o descanso está no meu dengo, mas as semanas tem sido sete por um: sete dias difíceis pra um dia de amor e calmaria. E tem sido tão exaustivo. 

Espero que o meu eu do futuro, descansado e com uma rotina muito mais agradável que a do meu presente, encontre os pensamentos que cercavam esse texto e compreenda que o desespero que pegava fogo nessa noite de domingo era justificado e ainda sim tenha valido todas as penas do mundo que me falaram. Que valha a pena. E que eu tenha forças pra olhar sempre em frente e enfrentar. 

Mas a vida anda tão mesquinha comigo que amanhã já é segunda-feira e o banco me aguarda, a prova já está impressa, o chá está esfriando, a tinta preta da minha caneta favorita está acabando e já é hora de encher o peito daquele ar denso que precisa me sustentar mais uma vez.

Postado por Bárbara Andrade

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