Crônica: O número um

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Naquele tempo não imaginava viver uma vida que não te incluísse. Depois, não me via existindo sem sentir sua falta. Hoje, por graça da aleatoriedade, me lembrei de você quando comentaram sobre o fim sem anúncios daquela banda que adorávamos. Depois  de tanto tempo, você voltou finalmente a visitar meus pensamentos.

Engraçado pensar em como as coisas mudaram. Houve um tempo em que eu perdia o sono pensando em nós dois, atirava indiretas ao vento e sentia o peito doer sempre que te procurava em vão em meio a multidões. Curioso, já que jamais nos encontramos nem na solidão  nem nas aglomerações. Ainda assim, te quis profundamente. Parti, reparti e reconstruí meu coração mais de uma vez, com a determinação de quem acredita no amor, graças ao que vivemos juntos - mesmo que separados.

Independente de tudo, você foi o primeiro. O primeiro a fazer meu coração chacoalhar e os braços arrepiarem com o despertar das borboletas no estômago. E quão gracioso foi o modo como me ensinou sobre o afeto, a amizade, o respeito, a vontade, a saudade, a paixão, o carinho, o não-abraço e a dor.

Eu nunca disse que foi fácil. Mas foi doce.

Não há mágoas, mas certamente há gratidão. O caminho que trilhamos me fez explorar profundamente quem eu era e quem eu gostaria de me tornar. Para o bem ou para o mal, sua parceria foi mais do que importante no meu processo socrático de autoconhecimento.

Meu grande, primeiro e inesquecível amor.

Postado por: Bárbara Andrade

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