Não está fácil para ninguém, mas não precisa ser tão difícil

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Photo by Toa Heftiba on Unsplash

Faz algum tempo que não escrevo nada, mas tenho estado com a pulga atrás da orelha para fazer meus dedos dançarem pelo teclado. Eu gosto de escrever sobre assuntos que realmente dominam meu coração. Pois bem, nas últimas semanas eu me sinto dominada pela angústia. Não sabia o que escrever sobre isso – as pessoas ao meu redor também estão todas angustiadas, não é preciso que eu acrescente nada. Realmente foram semanas difíceis. Eu senti a energia do meu corpo se esvair, queria permanecer na cama o tempo inteiro e não via sentido em realizar qualquer atividade já que estamos vivendo esse limbo. Porém, eu recebi um sacode bem óbvio, daqueles “você não pode se entregar” que são sempre chatos de ouvir, mas às vezes caem bem. Sigo me sentindo meio para baixo, mas estou melhorando. 

Nesse intervalo, perguntei aos meus amigos no Instagram o que eles têm feito para se livrar da tristeza. Faço perguntas frequentemente para usá-los de cobaia no meu podcast, no entanto, dessa vez, quis escrever a respeito (escute aqui o Ouvir Num Podcast, toda quinta-feira tem episódio novo). 

Alguém respondeu desenhar e outra pessoa disse que estava pintando muito. Eu me identifiquei bastante porque tenho desenhado um bocado também. Quando eu estou me sentindo atordoada pela ansiedade, preciso realizar atividades que prendam minha atenção e consumam muito da minha energia, porque eu me sinto eletrizada. Com isso, eu gosto de desenhar enquanto desenvolvo outra atividade, como assistir a um vídeo ou ouvir um podcast, o que me deixa bem entretida. Isso não é o ideal. Eu sei que preciso fazer uma coisa de cada vez e relaxar, mas, nos momentos ruins, essa é uma alternativa para me manter fazendo algo que eu gosto. 

Falando em assistir série, algumas pessoas mencionaram também. Eu fiz uma listinha dos filmes e séries que eu quero ver, mas não estou me forçando. Quando eu começo algo e não curto, adoto a política de não me sentir culpada em parar. Não estou fazendo nada por obrigação e a vida é muito curta para assistir a filmes ruins. O mesmo faço para livros. No momento, estou em quatro leituras bem diferentes (ler vários títulos ao mesmo tempo é mais estimulante para mim). Não é todo dia que estou disposta a ler, mas é prazeroso conseguir focar numa leitura de vez em quando. 

Muitos dos meus amigos estão jogando, online ou não. “Mas essa não é uma atividade produtiva”, bom, meu objetivo nunca foi demonstrar como as pessoas estão sendo produtivas, e sim como elas têm feito para se sentir bem. Eu aproveitei minhas economias, por exemplo, e comprei uma expansão nova no The Sims 4. Minha Sim se tornou uma grande florista, foi mãe solo, depois se casou com os pais das gêmeas. As meninas foram morar sozinhas quando se tornaram adultas, uma é astronauta e a outra é pintora. A primeira está se relacionamento com uma mulher linda e a segunda namora todos os homens da cidade. Acho que construímos uma família maravilhosa. 

Outra atividade muito frequente na quarentena é cozinhar. Eu não cozinho muito, confesso, porque minha mãe domina a cozinha e é tão melhor que eu que nem vale a pena tentar. Mas eu tenho visto receitas de pão, bolo, pizza, biscoitos no twitter e acho que isso tem ajudado várias pessoas a se sentirem bem. Dá muita alegria comer algo gostoso que a gente fez. Especialmente quando tem muito carboidrato envolvido. 

Por fim, alguns recursos menos mencionados para se sentir melhor foram: aprender habilidades novas; tomar banho de sol, algo muito importante; ficar deitado numa rede descansando, porque nem tudo é ação; e simplesmente tomar banho, que pode ser muito mais do que um momento de limpeza, pode se tornar um ritual de autocuidado. Aprendi que meu horário favorito para me banhar é as 17h20, quando o sol está se ponto, o banheiro fica em meia luz e a água está na temperatura ideal. Coloco uma música que eu goste muito e aproveito o momento comigo. 

Em síntese, existem milhares de atividades ou pequenos gestos que a gente pode fazer para se sentir bem nesse período difícil. Na minha experiência pessoal, há dias em que durmo interruptamente e outros que estou mais disposta. No geral, estou tentando o meu melhor. Hoje, por exemplo, eu consegui fazer exercício físico depois de cinco dias parada. E ontem eu dormi antes da meia noite pela primeira vez em semanas. Tenho controlado as notícias que consumo, saído de casa apenas para consultas médicas e tentado não pensar muito em como vai ser depois de tudo isso. Saber que os outros também estão nesse processo me ajuda a me sentir menos só, espero ter ajudado alguém também.



Postado por Ana Letícia Dantas

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