Umbrella Academy, a família na TV e outras coisas

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Photo by Reprodução Netflix

A construção de família na TV, principalmente estadunidense, mudou muito com os anos, alguns fatores que contribuíram para isso são a independência feminina, queda da dicotomia como uma narrativa interessante e o entendimento que é necessário uma ligação maior com os personagens para se criar um laço realista com um show. Os grupos familiares dos subúrbios yankees ainda são uma realidade, porém uma realidade conservadora e um pouco antiquada, digna de propagandas irrealista de margarina. De tanto ver séries policiais, ler e ouvir sobre crimes reais, a noção de que famílias são disfuncionais, na maioria das vezes, e afetam muito a maneira que uma criança vai crescer e o adulto que ela vai se tornar parece mais coerente com a realidade pra mim. Acho que, além dos poderes e cenas de ação divertidas, foi por isso que Umbrella Academy conquistou meu coração logo de cara. Algo que me lembrou This is Us e até mesmo a Maldição da Residência Hill, pode parecer loucura, mas, no fundo, todas essas séries, com formatos tão diferentes entre si falam sobre uma mesma coisa: Família. O formato de mostrar o passado dos personagens, quando eram crianças, para justificar ou complementar uma situação que está acontecendo quando adultos me trás um ar de familiaridade e saber do que se trata todos aqueles traumas e situações conflitantes, afinal, a primeira infância é o que molda um ser humanos e esses programas ilustram bem isso.

Pra você que não conhece ou nunca viu, The Umbrella Academy é uma série da Netflix baseada na série homônima de quadrinhos escrita pelo vocalista da banda My Chemical Romance, Gerard Way, e ilustrada pelo brasileiro Gabriel Bá, possui três volumes lançados oficialmente, e, no streaming está na sua segunda temporada. O enredo gira em torno de uma família disfuncional de ex super-heróis que se reconecta depois da morte do seu pai adotivo, um bilionário excêntrico que os comprou ao saber da característica incomum de seus nascimentos. A segunda temporada da série chegou na Netflix no mês passado, provocando algumas opiniões conflitantes da crítica, mas algo é unânime: Houve muita evolução desde seu primeiro ano. O roteiro deu grandes passos em direção a conexão do público com os poderosos, dando mais profundidade aos seus enredos individuais tornando os personagens ainda mais problemáticos, interessantes e, até mesmo, engraçados. 

Finalmente, esse ano, no dia 31 de julho a segunda temporada chegou à Netflix com um enredo que mistura viagem no tempo, problemas em família e temas importantes a serem discutidos. Senti que alguns personagens cresceram mais em enredo que outros (quando será que o Luther vai parar de ser chato?), Allison, como a única irmã negra e a luta pelos direitos civis, foi a história que mais senti que cresceu durante as duas temporadas, apesar de alguns furos no roteiro que chegaram a me incomodar durante a série, mas que não me fez perder o encanto. Minha estrelinha dourada vai pro Klaus e pro Cinco por serem os melhores personagens desde a primeira temporada e só melhoraram com o segundo ano da série, sendo divertidos e profundos, além de serem muito bem interpretados pelos seus atores. Além de uma perfeita representação dos anos 60, tanto no figurino, quanto no cenário e meus aplausos pra trilha sonora que entrou nos meus mais ouvidos do Spotify. Os efeitos deixam a desejar, talvez pelo costumes de ver heróis sendo representados de forma megalomaníaca pela Marvel, ainda assim, houve um provável crescimento no orçamento, já que as coisas pareceram melhor finalizadas e trabalhadas. No mais, é uma das minhas séries preferidas de heróis dos últimos tempos, divertida, consistente e com uma concepção real de seres humanos reais com falhas reais, na medida do possível, The Umbrella Academy me trás um grande sentimento de conhecer os personagens e me identificar com seus dilemas morais, algo que, pessoalmente, eu acho muito importante em qualquer enredo.

Nota final pra quem interessar: Não, eu não morri, nem desisti de escrever, eu acho, no meio do processo de crescimento do blog eu deixei de ser uma pessoa e me tornei outra, depois outra, mais uma, uma nova e aí estou sendo essa que vos fala, nesse espaço de tempo eu meio que me perdi no personagem do que eu deveria escrever ou falar sobre, talvez eu esteja me encontrando de novo, vamos ver sobre isso. Façam terapia.

PUBLICADO POR TUANE PERES

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