Primeiras impressões: As Five

19:55

 

Fonte: Gshow


Eu não vou dar nenhum spoiler ok?

Confesso que nunca fui boa noveleira. Perco a maior parte dos capítulos e, quando lembro de acompanhar a trama, outros rumos já foram dados à história. Com Malhação - Viva A Diferença isso também aconteceu. Eu me interessei pela novela quando foi exibida originalmente, mas não tinha tempo para assistir porque era justamente o ano em que eu estava estudando para o Enem. Agora, na nova exibição, não é sempre que consigo assistir, porém ao menos dou uma lida nos acontecimentos da semana para saber como estão os personagens que eu gosto. Para (mais uma) felicidade dos fãs, a história retornou em formato de série há poucos dias no Globo Play, mostrando a realidade das “Five” seis anos depois do término. Assim como os espectadores, as protagonistas cresceram e agora enfrentam problemas de jovens adultas - com o que eu julgo, até o momento, uma verossimilhança impressionante.

O ponto forte de Malhação - Viva A Diferença é o mesmo de “As Five”: as cinco garotas são muito interessantes e é fácil se envolver com cada uma delas. Além disso, houve de fato a preocupação em diversificar as personagens, sendo uma menina branca rica (Lica), uma jovem mãe (Keyla), uma preta (Ellen), uma pessoa com síndrome de asperger (Benê) e uma nissei (Tina). Unidas pelo acaso sete anos antes, agora são novamente meras conhecidas.

Em Malhação, Lica era uma garota rica, mimada e inconsequente (oficialmente o tipo de gente que mais me irrita, mas eu juro que gosto dela) que aprende bastante sobre si e sobre o mundo com suas amigas ao longo da novela. Na vida adulta, ela abandona todas as faculdades que cursa, mora num enorme apartamento pago pela mãe e não consegue assumir responsabilidade alguma. No primeiro episódio, vemos uma pessoa completamente perdida, porém charmosa e instigante. Entendemos, de início, que a sua jornada realmente será sobre assumir responsabilidades e ser menos egoísta. Não captei se a Lica é lésbica ou bi, mas amei como essa questão é tratada de modo honesto na narrativa.

Quem acaba indo morar com Lica e agita muito a sua vida é Benê. Praticamente casada com o Guto por todos esses anos, ela perde o rumo ao descobrir que ele é gay (não, isso não é spoiler, está na sinopse). Terminar um longo relacionamento é ruim para qualquer um, mas certamente para alguém que não é neurotípico é muito pior. É visível que eles tinham uma relação de cumplicidade e carinho muito grande, porém era impossível que fossem um casal. As amigas, incompreensíveis, não respeitam muito os limites da Benê, enquanto ela se esforça para se encaixar na sociedade do seu jeito. Meu palpite é que o desenvolvimento dessa personagem será sobretudo sobre sexualidade, porque, como Guto era gay e ela mesma nunca se interessou por isso, sua vivência até o momento é bastante limitada. Porém, ao conhecer alguém novo, alguém super bizarro, diga-se de passagem, ela parece inclinada a mudar suas perspectivas sobre o assunto.

Outra Five precisando desenvolver sua vida amorosa é a Keyla. Todas as histórias são comoventes, mas a dela, em específico, é a que mais me preocupa. Keyla é jovem, mãe, parece ter apoio apenas de uma vizinha e não tem perspectiva de futuro. A série retrata muito bem como o mundo é machista e torna tudo mil vezes mais complicado para uma mulher com filhos. Sua vida está bagunçada em todos os aspectos: social, amorosa, profissional. Ela está muito longe de ser uma dessas mães exemplares de Instagram, no entanto, mesmo tendo um jeitão de menina, parece dar o seu melhor para criar o Tonico feliz e saudável. Os desafios dela durante a série são enormes. Como conciliar um futuro profissional com a maternidade sem ajuda de ninguém? Até agora estou me perguntando por onde será que anda o pai… espero que ele reapareça para cumprir um pouquinho o seu papel nos próximos episódios.

Ellen, como era de se esperar, foi muito longe e está fazendo mestrado nos Estados Unidos, além de estar noiva de um estadunidense. Sua preocupação com os estudos é tão grande que chega a ser inconveniente em certos momentos. No primeiro episódio a gente vê que, mesmo voando tão alto, o racismo ainda está presente no seu cotidiano. Vemos também que ela não está muito animada com casamento que se aproxima. Lica sugere, em tom irônico, que Ellen está se casando apenas para ganhar o visto americano, o que ela nega, óbvio. Mas claro que, como espectadora, fiquei com essa pulga atrás da orelha. Acredito que sua trajetória será sobre encontrar o equilíbrio na vida e retomar suas raízes com o Brasil, aprendendo a não se preocupar tanto em ser a mulher bem-sucedida e se conectar mais com aqueles que a amam.

Por fim, vou falar do plot da Tina, porque é ela que gera a reunião das amigas. A mãe super controladora da Tina morreu e o reencontro acontece no funeral. O pai e a irmã estão visivelmente abalados, mas ela mantém a expressão inabalável o tempo inteiro. Seu dia não é fácil e a chegada das outras meninas só piora, sendo uma mais sem noção que a outra. Aparentemente, os últimos anos foram bem difíceis e ela está saturada não apenas daquela situação, mas de toda a pressão que a mãe colocava em suas costas, mesmo depois de morrer. Não fica bem claro de início, mas na sinopse sabemos que o seu relacionamento com Anderson não vai bem. Eles terminarão juntos? É realmente um mistério. O que sei, até agora, é que Tina precisará lutar para superar esses traumas familiares se quiser finalmente ter tranquilidade.

Acabei escrevendo mais do que esperava nesse texto, mas a verdade é que esse episódio me atingiu em cheio. Eu me senti no meio delas, sabe, querendo pegar cada uma pela mão e resolver os seus problemas? Estou ansiosíssima para saber como essas histórias vão se desenrolar e como será retomada a conexão entre as Five. Se você ainda não assistiu, corre agora para o Globo Play. Caso contrário, comenta aqui comigo quais foram as suas impressões, estou ansiosa para saber :)

Publicado por Ana Letícia Dantas

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