Crônica: Hoje é dia 04 de dezembro

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Hoje é dia 05 de dezembro de 2020. Ontem, pela 11° vez, viralizou o vídeo de uma jovem audaciosa gravando sozinha no Jardim Botânico antes mesmo de as redes sociais se tornarem um fenômeno. Na época, o YouTube estava em seus primeiro anos, Kim Kardashian não tinha lançado seu livro de selfies ainda e esse termo para "gravar/fotografar a si mesmo" nem sequer existia. A moça de vinte e poucos anos ignorou os olhares julgadores e resolveu falar abertamente com o Universo diante da sua câmera. O vídeo foi repostado em um desses blogs de humor famosos e ela foi ridicularizada de várias maneiras, até ameaçada de morte. Em 2020, ainda há quem ache graça, mas eu, curiosamente, não achei.

No mesmo momento em que assisti no Twitter, corri para googlar o título e descobrir o nome da autora. Encontrei o perfil de Carolinie Figueiredo no Instagram e fiquei surpresa ao perceber que ela não tinha mudado nadinha. Segundo a própria se descreve, agora é "Mãe, Atriz, Terapeuta e Educadora Parental pela Disciplina Positiva", e continua com o mesmo brilho no olhar que tinha em 2009. Enfrentou as acusações, o machismo, o ódio, e se tornou a pessoa de luz que ela almejou ser um dia. O vídeo, na verdade, é bem simples. Carolinie fala que 04 de dezembro é dia da tempestade e, por coincidência, choveu no Rio de Janeiro naquela tarde. Ela entrou no Jardim Botânico pela primeira vez em anos e lembrou que, ao acordar, tinha pedido aos céus que a iluminassem e lhe permitissem fazer a diferença em si e no mundo. Então, sob a chuva e a calma dos jardins, ela encontrou a câmera na bolsa e registrou o momento em que decidiu ser uma pessoa mais lúcida, mais consciente, mais disposta a agir pelo bem.

Eu nunca fui alguém ligada à espiritualidade, mas confesso sentir muita falta desse aspecto na minha vida. Minhas experiências se resumem a uma juventude inteira de cristianismo compulsório e o sentimento de deslocamento enquanto todos ao meu redor parecem sentir algo a mais. Decidi há algum tempo que daria outra chance à fé, mas venho adiando minha busca desde então. Ver alguém assim, tão espiritualizada, porém sem falar necessariamente de religião, é muito mais inspirador para mim que qualquer discurso pronto. Assistir a Caroline realmente me fez querer me "reconectar".

Eu costumo ficar sensível em dezembro. Eventos de fim e início de ciclo são importantes para mim, preciso do simbolismo. Sei que minha vida pode mudar a qualquer instante, mas algo aqui dentro me diz que o poder de janeiro é sempre maior. Ano passado, minha intuição me disse para não criar plano algum para 2020. Interpretei como apatia da minha parte, atualmente penso que foi pressentimento. Agora, sem saber por que, eu sinto uma esperança muito grande para 2021. É como se eu estivesse pronta para evoluir e lavar todos os erros, as frustrações, os arrependimentos, as angústias dos últimos anos. Eu me sinto mais aberta a me amar, a colocar um fim em comportamentos danosos, a encerrar sofrimentos desnecessários. De alguma forma eu me sinto pronta para crescer como nunca no ano que vem, além de reconhecer o quanto já cresci nos últimos tempos.

Eu sou bastante cética com relação a tarot, astrologia, numerologia, e afins. Já questionei muitas vezes a existência de Deus. Apesar disso, tento não me manter fechada. Descobri, assim, que 2021 será meu ano 8, ou seja, o quase o fechamento de todos os ciclos. Segundo a numerologia, é um ano de colheita dos frutos do que foi plantado nesse período. Não sei exatamente quais serão minhas metas para 2021, mas o meu coração está que nem o da Carolinie: pedindo paz, luz e caminhos abertos. Quero muito cuidar da minha saúde física e mental. Quero me conectar com as pessoas, me amar bem muito, curtir minha família, me conectar com o meu lugar. Quero, acima de tudo, sentir o "algo a mais" de se ligar ao que é muito maior que eu.

Dia 04 de dezembro de 2020 em Natal fez muito calor. Não cai uma gota de chuva há semanas na Cidade do Sol. Mas eu sei que a tempestade está chegando. Posso sentir. 

Está aqui o vídeo para quem quiser assistir. Mas não veja com julgamentos. Eu sei que ela fala de um lugar de privilégio, mas a gente não precisa estar falando do mundo todo o tempo todo. Ela estava falando de si, e sua fala pessoal foi o que me tocou. Às vezes a gente só tem que olhar para dentro. 


Postado por Ana Letícia Dantas

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