Todo mundo se aceita, menos eu

12:58


Eu já questionei o meu valor inúmeras vezes, pelos motivos mais fúteis. Eu desço o feed do Instagram e me inquieto pela pressão estética de parecer no espelho cada vez mais com aquelas imagens editadas. Passo por um post com a #bodypositivity e me questiono por que ainda não tenho essa serenidade. "Fulano vai gostar de mim se eu for dessa maneira?" ou "devo usar essa roupa mesmo que ela destaque tal parte do meu corpo?" são pensamentos que me invadem, além de outros tantos que só tenho coragem de admitir ao meu próprio julgamento. Fico triste, culpada. Parece incoerente alguém com acesso ao feminismo e ao movimento corpo livre se sentir tão mal por não ter as curvas daquela blogueira famosa. Mas eu sinto. E talvez você se sinta da mesma forma.

Acompanho o conteúdo da @obviousagency há alguns meses, mas vinha procrastinando a experiência de ouvir o podcast. Finalmente cumprindo essa tarefa, confesso não ter aproveitado muito (talvez a personalidade da apresentadora não tenha cativado a minha) porém o episódio dessa semana me trouxe a reflexão: eu sou a única que ainda não se aceita? Por que é tão difícil assumir a vulnerabilidade de se sentir sem valor numa sociedade que constantemente nos induz a esse sentimento?

Em um primeiro momento, sinto que é vergonhoso, sim, ao ter consciência dessa estrutura, ainda se submeter a ela, quase como se eu fosse conivente. Então entendo que não estou enxergando amplamente o problema. É claro que, ao ter conhecimento sobre as pressões estéticas a qual somos submetidas, torna-se viável questioná-las e tomar caminhos divergentes. No entanto, imersas nessa lógica, é quase impossível contornar sua influencia individualmente, porque se trata de um problema estrutural. Entendo, assim, que eu sozinha não vou conseguir me livrar totalmente dessa pressão - pelo contrário, devo abraçar essa fragilidade, acolher minhas inseguranças e dissolver a culpa por um processo tão difícil de evitar.

Afinal, não podemos colocar mais esse peso sobre nós. Não somos perfeitas. Não precisamos ser a super mulher empoderada o tempo todo. Nem faz sentido julgarmos a si e as nossas amigas que não conseguem se livrar de certas amarras. É desgastante ser fiel a si, contrariar a vontade do mundo. Mas também é exaustivo tentar atender as suas - inalcançáveis - exigências. A diferença é que o esforço por si, ao final, acaba gerando maior satisfação e estabilidade (nossa essencial é sólida e verdadeira, já as tendências, mudam a cada estação). Por isso, eu rogo: tenhamos garra para combater aquilo que nos oprime e coragem para acolher nossa fragilidade. 

Postado por Ana Letícia Dantas



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