A não lista de metas de fim de ano

22:04

Photo by Glenn Carstens-Peters on Unsplash

O início e fim de ano são períodos em que eu me sinto curiosamente mais inclinada a escrever. Talvez pelo meu despertar para o fato de ter escrito bem menos do que gostaria ao longo dos meses passados, ou pela atmosfera acolhedora que essa época me trás. Também é quando paro com mais consciencia para tentar traçar as possíveis metas para o futuro, no entanto, faz algum tempo que não tenho me dedicado tanto a essa atividade como antigamente. A princípio, olhei pela perspectiva positiva de que os anos de terapia me ensinaram a não ser tão ambiciosa no sentido de tentar metar inalcançáveis. Em suma, aprendi a ser mais pé no chão, embora nem tanto. Mas também me questiono o quanto disso não seria um certo desanimo e desestímulo com o amanhã, que tanto me causa angústias e aparece frequentemente nos meus pensamentos, nos piores cenários possíveis. Esse poderia ser um breve resumo do que é ser alguém com ansiedade exagerada.

Hoje me veio uma nova e mais positiva ideia do motivo pelo qual minhas listas de metas de ano novo têm ficado mais compactas - além de eu estar mais realista. Quando eu era adolescente (ou quando eu era mais adolescente do que sou hoje, aos vinte e dois), costumava gastar muito da minha fértil imaginação pensando em tudo que eu gostaria de ser, e nada se encaixava com quem eu era de fato. Como a maioria, eu gostaria de ser mais interessante, mais popular, mais bonita e, o típico, ser aprovada na universidade. Desenhava como queria minha vida e, para isso, precisava realizar mudanças drásticas, porque eu mesma não me encaixava no que queria para mim. Não sei se me tornei a adulta que esperava, mas pensando bem, acho que sou a adulta que quero ser agora.

Não me entenda mal: eu não sou perfeita, minha vida não é ideal e eu ainda mudaria alguns aspectos, mas não todos como antigamente. Bem, no fim das contas, eu fui aprovada no curso que queria e estou me esforçando muito para construir a profissional que, no futuro, pretendo ser. Ainda que a faculdade me adoeça de verdade do ponto de vista físico e mental, eu faço o que gosto (mas não no ritmo que queria, porém, são circunstâncias de se viver no capitalismo tardio). Eu não amo meu corpo, no entanto, não o odeio mais como costumava, e nem desejo que ele se torne algo completamente diferente do que é. Não pratico todas as atividades, não vejo todas as séries, não leio todos os livros que gostaria. Não tive inspiração para escrever por meses e nem cabeça para ler qualquer coisa que não fossem textos obrigatórios. A rotina tem me consumido, não vou negar. Mas eu não me sinto culpada por isso, sabe? E isso é um grande avanço. Não deu para assistir àquela série a qual estão todos falando e está tudo bem. Talvez entre como meta para o próximo ano.

Minha lista de objetivos diminuiu consideravelmente porque, em suma, não estou mais tentando ser alguém que não sou. Desejo apenas me tornar uma pessoa que vai com mais frequência à academia e que organiza melhor o tempo para conseguir meditar dez minutos por noite. Não estou mais me cobrando como uma questão vital terminar um livro descartável ou manter uma rotina de skincare impecável. Os anos me ensinaram a ter mais carinho por mim mesma, ainda que eu me sinta muito má comigo. Sem dúvidas, essa é a melhor reflexão que posso fazer nesse momento. Pensei em, inclusive, não escrever lista alguma, mas resolvi fazer porque metas são importantes para a gente entender nosso caminho, ainda que este seja com fim em nós mesmos. 


Publicado por Ana Letícia Dantas

Posts relacionados

0 comentários